top of page

“Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”, de Chloé Zhao, 2025

  • hikafigueiredo
  • 16 de fev.
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 7 dias

Filme do dia (08/2026) – “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”, de Chloé Zhao, 2025 – Stratford, Inglaterra, segunda metade do século XVI. O professor William Shakespeare (Paul Mescal) conhece Agnes (Jessie Buckley), uma jovem reclusa e iniciada em conhecimentos ancestrais e por ela se apaixona. Após engravidá-la, William casa-se com Agnes, formando uma família. Mas as aspirações artísticas de William levam-no para longe de sua amada esposa e, em Londres, ele inicia uma carreira de autor teatral.


 

 O novo filme da oscarizada diretora Chloé Zhao tornou-se badaladíssimo após ser agraciado com o Globo de Ouro (2026) de Melhor Filme Dramático. Curiosa, fui conferir a obra e saí do cinema com uma série de sentimentos bastante contraditórios acerca do filme. A obra, baseada no romance homônimo de Maggie O’Farrell, discorre sobre a vida particular do renomado escritor William Shakespeare e de uma suposta relação entre a morte precoce de seu filho Hamnet e uma de suas mais célebres peças teatrais, “Hamlet”. A narrativa, assim, acompanha um pequeno trecho da vida de Shakespeare, mas sob a ótica de sua esposa Agnes. E aqui surge meu primeiro sentimento de repúdio ao filme – a narrativa é completamente ficcional e não tem absolutamente nenhuma verossimilhança com a realidade, até mesmo porque a biografia de Shakespeare é repleta de lacunas e cheia de especulações. Ocorre que, em momento algum isso é evidenciado na obra, sequer como um aviso pré-créditos, o que pode fomentar a crença de que aquilo é uma verdade histórica – O QUE NÃO É! Eu, particularmente, não gosto de obras que fazem uso de personalidades reais para contar fanfics, exceto quando explícito tratar-se de algo ficcional – como a completa subversão da história em “Bastardos Inglórios” (2009) ou em “Era Uma Vez em Hollywood” (2019). Essa questão me deixou bastante incomodada no filme, principalmente porque a narrativa cria uma hipotética relação entre fatos e a obra “Hamlet” que não passa de uma conjectura advinda das vozes da cabeça da autora do livro no qual o filme se baseia. Segundo ponto que me incomodou – diferentemente do sensorial “Nomadland” (2020), aqui a diretora Chloé Zhao faz uso dos clássicos subterfúgios hollywoodianos para “tocar” o espectador, como a música que “sobe”, pontuando o momento de chorar/sofrer e que, para mim, sempre funcionam ao inverso – quando eu percebo qualquer elemento que tenta manipular meus sentimentos, quebra completamente o clima e eu me desconecto da obra imediatamente. E, infelizmente, isso aconteceu neste filme em mais de um momento. Em outras palavras, o filme não me convenceu e não despertou minhas emoções. Mesmo a imaginada relação entre a morte de Hamnet e a peça Hamlet me pareceu tão forçada que em momento algum me arrebatou. Dito isso, o filme tem lá alguns acertos. Inegável que o filme é visualmente belíssimo – tanto a fotografia quando o desenho de produção de época são excepcionais e com certeza conseguem envolver boa parte do público. As temáticas, sozinhas, também são universais e facilmente assimiláveis pelo espectador: a perda de um filho, o risco da desagregação familiar, o poder curador da arte. Os temas abordados – inclusive com grande competência – fazem com que o filme tenha, sim, muito apelo (exceto se, como eu, você for uma ranzinza que não aceita ter emoções manipuladas por artifícios). E, acima de tudo, temos duas interpretações sensacionais – Paul Mescal interpreta um Shakespeare sensível e repleto de culpa, perfeito para a história. Mas é em Jessie Buckley que o filme atinge seu ápice – a atriz traz uma carga dramática tão poderosa para sua Agnes que eu quis, de coração, esquecer todo o resto que me desgostou só para fazer valer um trabalho tão estupendo. Jessie é sempre maravilhosa, mas aqui ela realmente se superou, merecendo cada um dos inúmeros prêmios que recebeu por sua atuação, dentre os quais o Critics’ Choice Awards (2026) e o Globo de Ouro (2026) na categoria de Melhor Atriz em Drama. O filme está concorrendo ao Oscar (2026) em diversas categorias, inclusive em “Melhor Filme”, “Melhor Direção”, “Melhor Roteiro Adaptado” e “Melhor Atriz”. Sinceridade: é um bom filme, mas eu esperava muito mais dele e seguramente não terá minha torcida no Oscar, exceto na categoria de Melhor Atriz. No fim, sobrou um rancinho. Atualmente em cartaz nos cinemas.

 
 
 

Comentários


bottom of page