• hikafigueiredo

"30 Dias de Noite", de David Slade, 2007

Filme do dia (125/2019) - "30 Dias de Noite", de David Slade, 2007 - Em Barrow, uma minúscula cidade no ponto mais ao norte do Alasca, a noite chega a durar um mês durante o inverno. Ocorre que, ao chegar a noite de trinta dias, um grupo de vampiros chega à cidade e passa a aterrorizar a população.





Vamos por parte para falar deste filme. Antes de mais nada, cabe comentar que ele é uma adaptação de uma HQ e, como sempre acontece, há perdas nesse processo. Não cheguei a ler a HQ, mas soube que ela é bem conceituada entre os amantes do gênero. Quanto ao filme, considero que o argumento utilizado - um local cuja noite dura trinta dias, afastado de tudo e à merce de um sanguinário grupo de vampiros - é impecável e abre brecha para inúmeras possibilidades de aproveitamento. Já no que tange ao desenvolvimento da história, bem, acho que ficou bastante aquém do que poderia ter sido. Isso porque o que havia de melhor na ideia - as questões do confinamento e da passagem de tempo (a noite que não acaba jamais), ambas fonte inesgotável de tensão e agonia - foi bem mal aproveitado no filme. Ao longo da narrativa, ambas as questões mencionadas ficaram diluídas em meio às cenas dos ataques dos vampiros e deixaram de passar as sensações de claustrofobia e de "tempo que não passa" que seriam essenciais à obra. Em outras palavras, o filme não aproveitou os elementos mais sensoriais que tinha em mãos e uma história que prometia sentimentos profundos de angústia não se confirmou. Eu admito que fiquei um pouco frustrada com o resultado. Outra reclamação é quanto algumas premissas propostas e algumas soluções encontradas. Algumas premissas me soaram equivocadas, quando considerada a mitologia dos vampiros (podem me chamar de purista, mas tenho certo pé atrás com inovações ao tema). Já as soluções, várias me pareceram até absurdas, inclusive a solução final (que me lembrou "Guerra Mundial Z" e que lá também me desagradou). Não quero aprofundar muito para não dar spoilers, mas saibam que pode rolar certo descrédito quanto aos caminhos percorridos pela história para quem optar por assistir ao filme. Por outro lado, a história conseguiu me prender, não me deu sono (e isso, no momento, é uma virtude e tanto!) e não chegou a ser desprazerosa de acompanhar. A obra tem bons efeitos especiais e a caracterização dos vampiros me agradou (eles tinham uma fisionomia estranha, que me atraía e me causava repulsa ao mesmo tempo). As interpretações, por seu turno, poderiam ter sido melhores - Josh Hartnett até que não está tão mal como o xerife Eben, mas achei Melissa George uma catástrofe como Stella. Então... não vou dizer que detestei a obra porque seria mentira, mas é fato que existem filmes bem mais bacanas sobre esse tema, como "The Lost Boys" e "Fright Night" (ambos com uma pegada adolescente), "Amantes Eternos" e "Fome de Viver" (com uma pegada mais, sei lá, sensual, talvez) e o imbatível "Deixe Ela Entrar" (terror de primeiríssima classe). Acho que até "Garota Sombria Caminha na Noite" me agradou mais. Como eu disse, tem virtudes, mas tem muita coisa que poderia ser melhor. Não vou recomendar nem "desrecomendar", fica por conta de vocês.

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