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  • hikafigueiredo

"(500) Dias com Ela", de Mark Webb, 2009

Filme do dia (230/2020) - "(500) Dias com Ela", de Mark Webb, 2009 - Tom (Joseph Gordon-Levitt) relembra o período em que esteve apaixonado por Summer (Zooey Deschanel), uma colega de trabalho com quem teve um breve relacionamento.





Com um título que induz o espectador à errônea ideia de um filme romântico, a obra é um belo retrato da fossa amorosa e de como se constrói a ilusão de um relacionamento perfeito à despeito dos sinais contrários. O personagem Tom, além de um romântico assumido, é um iludido. Summer, desde o primeiro momento, deixa claro que não pretende ter um relacionamento sério com Tom, mas este, apegado aos seus delírios românticos, ignora todas as evidências que demonstram tratar-se de um relacionamento fadado ao insucesso. Lembro que, na primeira vez que assisti ao filme, fiquei com raiva de Summer e assumi as dores de Tom, morrendo de pena do personagem. Com a maturidade, veio uma outra visão de ambos os personagens. A situação de Tom não me causou mais dó, pois me dei conta, nessa revisita, de que ele cavou a própria cova ao se negar a encarar a realidade e Summer não poderia ser mais sincera e correta do que foi com ele. Consegui ver, ainda, em Tom, alguns ranços machistas, como em momentos em que ele se refere a Summer com palavras bem pouco delicadas tão somente por ela não ter se apaixonado por ele. Dificilmente vai ter alguém que não se identifique com algum dos personagens ou com as situações vividas por eles - quem não viveu uma "bad" por coração partido e quem nunca teve de avisar um pretendente de que ele "confundiu as coisas"? A narrativa flui deliciosamente bem, seguindo tempo não linear - Tom relembra, de maneira caótica, a sua história com Summer, indo e voltando no tempo. O ritmo é bem marcado e constante. O clima geral é leve, apesar do sofrimento de Tom (bom... talvez alguém que esteja vivendo uma crise amorosa não ache o clima assim tão leve... por via das dúvidas, eu não arriscaria ver o filme nessa situação). Os destaques vão para a montagem ágil, que dá o tom da narrativa, e para uma trilha sonora bacaninha e bem variada, que inclui The Smiths, Simon & Garfunkel e Carla Bruni. Adorei tanto Joseph Gordon-Levitt quanto Zooey Deschanel em seus personagens - o primeiro, com seu jeito inseguro e cara de cachorro que caiu da mudança; a segunda, ao contrário, com seu jeito seguro de quem sabe o que quer. No elenco, ainda, uma Chloe Grace-Moretz ainda menina, na fase em que eu ainda gostava dela e ela fazia personagens interessantes, ao invés de ser a musa das refilmagens toscas - ECA. O filme é bem legal e tem mais conteúdo do que o nome poderia supor. Eu gostei mais na revisita do que na primeira vez que eu vi. Recomendo (exceto para pessoas em recente crise amorosa).

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