• hikafigueiredo

"A Banda", de Eran Kolirin, 2007.

Filme do dia (319/2021) - "A Banda", de Eran Kolirin, 2007. Uma banda da polícia egípcia é convidada para um evento em terras israelenses. Eles viajam a Israel, mas, pela dificuldade de comunicação, acabam em um local diferente do que deveriam. Sem ter como chegar ao lugar correto do evento, os integrantes da banda terão de passar uma noite numa minúscula comunidade no meio do Deserto de Neguev, até serem resgatados pela embaixada egípcia. Para tanto, contarão com a hospitalidade de Dina (Ronit Elkabetz), uma bela israelense, dona de um restaurante local.





Essa produção israelense toca, com extrema delicadeza, na questão mais complexa, explosiva e conflitante relacionada ao seu país de origem - a relação entre árabes e israelenses. Não obstante os dois povos sobrevivam sob tensão constante, o filme abre uma pequena brecha no embate e expõe como pessoas comuns podem ser solidárias e compreensivas mesmo estando, em teoria, em campos opostos. Assim, o tema primordial da obra é a possibilidade de comunicação entre árabes e israelenses de forma empática e solidária. No entanto, outro tema universal também é explorado no filme: a solidão. Todos os personagens retratados são extremamente solitários e, de diferentes maneiras, buscam uma compensação à solidão. O filme caracteriza-se pela sutileza em tocar nos temas - nada é muito explícito e nada é vocalizado, tudo é exposto com muita sensibilidade. A narrativa é linear, num ritmo vagaroso e lânguido. A atmosfera é de estranhamento - a dificuldade de comunicação através das línguas pátrias é superada pelo uso de uma terceira língua, o inglês, e pela disposição de egípcios e israelenses em se entenderem. Formalmente, a obra não traz inovações em matéria de linguagem cinematográfica e o que mais se destaca é seu ritmo moroso. Quanto às interpretações, temos o ator Sasson Gabai no papel de Tawfiq Zacharya, o comandante egípcio responsável pela banda, num delicado e contido trabalho de atuação - o personagem não esconde a severidade com que trata tudo, inclusive a si mesmo, culpando-se por acontecimentos de seu passado e fechando-se em si próprio; a atriz Ronit Alkabetz interpreta a israelense Dina, uma personagem solitária que busca algum aconchego em braços masculinos e vê, em Tawfiq, uma possibilidade de abrigo - a atriz cumpre bem seu papel e esbanja sedução; Saleh Bakri interpreta Haled, um jovem músico da banda, mais interessado em flertar com as moças do que com as rígidas regras da banda impostas por Tawfiq. O filme é simpático, toca em assuntos caros e importantes, mas devo dizer que seu ritmo muito lento "pegou" um pouco para mim (como estou acostumadíssima com filmes lentos, nem sei dizer o porquê de sua lentidão ter me incomodado, mas é fato que isso aconteceu). Recomendo para quem tem interesse especial na temática árabe-israelense e tem disposição para filme p...a...r...a...d...o rs.

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