• hikafigueiredo

"A Bela e a Fera", de Juraj Herz, 1978

Filme do dia (187/2021) - "A Bela e a Fera", de Juraj Herz, 1978 - Para salvar seu pai, a doce Julie (Zdena Studénková) oferece-se como prisioneira de uma horrenda criatura (Vlastimil Harapes).





Releitura gótica do famoso conto de fadas francês, esse filme tcheco cria uma atmosfera sombria que o aproxima do gênero terror, ainda que mantenha a história original. Algumas particularidades da obra: a aparência da Fera, frequentemente associada a mamíferos como leões, gatos ou ursos, aqui remete a uma ave de rapina, com um bico protuso e garras de pássaro no lugar das mãos; a Fera também parece sofrer de transtorno de múltiplas personalidades, pois, como o personagem Smeagol de "O Senhor dos Anéis", ela discute constantemente consigo própria, revelando duas personalidades muito distintas - uma suave e romântica, a outra sanguinária e violenta, que instiga a primeira contra a personagem Julie. Visualmente o filme é belíssimo, com uma direção de arte caprichada e uma fotografia requintada - a abertura do filme na floresta cheia de neblina é excepcional. No elenco, destaque para Zdena Studénková como Julie, cujas feições lembram a de Uma Turman quando bem jovem - a atriz consegue imprimir muita doçura e ingenuidade na personagem, está perfeita como "Bela"; já a opção pela fisionomia de uma ave na Fera faz com esta seja um pouco inexpressiva, ainda que sempre assustadora. O filme é excelente, não deve nada à versão clássica de Jean Cocteau. Eu gostei e recomendo.

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