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  • hikafigueiredo

“A Catedral”, de Michele Soavi, 1989

Filme do dia (98/2023) – “A Catedral”, de Michele Soavi, 1989 – Um bibliotecário encontra um estranho pergaminho entre os livros de uma antiga catedral construída sobre uma vala comum com corpos de supostas bruxas. Se saber, ele abrirá o caminho para o mal.





Com roteiro e produção de Dario Argento, a obra começa mostrando a ação de cavaleiros templários que, na Idade Média, dizimam uma cidade inteira por suposta ligação dos seus habitantes com a bruxaria e a adoração ao diabo. Os corpos são empilhados em uma vala comum, sobre a qual se ergue uma catedral, cuja função seria manter o mal aprisionado. Séculos se passam e, na década de 1980, a catedral permanece, imponente, no local. Um dia, chega à catedral, um novo bibliotecário que, mexendo nos livros ali existentes, encontra um estranho pergaminho. Tentando descobrir o significado de seus escritos, Evan, o bibliotecário, “acorda” o mal que se encontrava adormecido sob a construção e, gradativamente, acontecimentos estranhos e maléficos começarão a ocorrer. Com este argumento, que, não nego, abre grandes possibilidades de desenvolvimento para a narrativa, encontramos pontos positivos e negativos na obra. Um primeiro ponto que me incomoda – mas que provavelmente é um posicionamento bem pessoal meu – consiste em achar justificativa para o extermínio de toda uma cidade sob o argumento de que todos ali seriam adoradores do diabo. Eu, particularmente, acho que não haveria mal maior do que aquele contido nos tribunais do Santo Ofício e em tudo que se relacionava à Inquisição. Eu fico bastante incomodada com obras que, de alguma forma, concordam ou confirmam as caças às bruxas em qualquer tempo. O que seria um massacre, ao longo da narrativa, acaba se mostrando um ato “purificador” – segundo a história, o mal estaria alojado naquele local, o que, de certa forma, justificaria o massacre antecedente. Sei que muita gente vai achar que esse meu incômodo é uma tolice, ainda mais por ser uma obra de ficção e um filme de terror, mas me sinto traindo todos os inocentes mortos sob alegação de bruxaria. Que seja bobagem, me julguem. Segundo ponto que eu diria que é negativo: a falta de coesão do filme. É curioso que a obra tem boas ideias, grandes sacadas e passagens muito legais, mas o desenvolvimento é meio truncado, eu senti que falta certa fluência nos acontecimentos. Por exemplo: os personagens que, no início, são relevantes, a certo ponto da história simplesmente desaparecem ou tornam-se quase invisíveis; passa mais um tanto, eles reaparecem e voltam a ter relevância. A última meia hora, em especial, parece completamente desconectada do resto – o que não impede de ter momentos surpreendentes e bem legais. Algo que me agradou bastante, foi a inspiração nas obras do pintor Hieronymus Bosch, possível de perceber tanto no afresco da igreja, quanto em alguns acontecimentos obscuros da narrativa. Aliás, o filme traz algumas imagens bem poderosas, como as diversas figuras do demônio que surgem ao longo da narrativa. A atmosfera sombria também surge como ponto positivo. Apesar de não ter chegado a me incomodar, abriria mão de várias cenas gore. O elenco, mediano, não chega a atrapalhar, mas, falta algum apelo. Destacaria a figura do sacristão, interpretado por John Karlsen, que, por algum motivo, pareceu-me mais doentio que os demais. No papel de sua filha, Lotte, a atriz Asia Argento, bem novinha. Destaque para a cena final da relação sexual com o capiroto e a cena da visão do inferno, ambas perturbadoras. Como disse, senti falta de um desenvolvimento mais fluído, mas a obra conseguiu me prender a atenção e ainda proporcionar uma angústia, um sentimento de tensão e uma sensação de pesadelo bem forte. Eu curti e recomendo com ressalvas.

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