• hikafigueiredo

"A Chinesa", de Jean-Luc Godard, 1967

Filme do dia (359/2021) - "A Chinesa", de Jean-Luc Godard, 1967 - Um grupo de cinco estudantes se reúne em um apartamento de classe média no intuito de formar um célula revolucionária de orientação maoísta, discutir as teorias marxistas e planejar suas ações junto à sociedade francesa.




Socorro! Às vésperas do movimento de maio de 1968, a juventude francesa encontrava-se inflamada e buscava nas teorias marxista-leninistas a fundamentação teórica para seus movimentos e ações. Os jovens juntavam-se em grupos das mais diferentes correntes - stalinistas, trotskistas, maoístas -, que, nas mais das vezes, conflitavam entre si, chegando às raias de embates físicos. O filme foca sua narrativa em uma dessas células - no caso, de orientação maoísta - e retrata, de maneira bastante crítica, o discurso muitas vezes vazio, dogmático e desconectado da realidade desse jovens. Okay, o argumento é ótimo. Mas, Senhooooooooor, que filme chato, cruuuuuuz credo!!! A obra me fez lembrar do motivo pelo qual eu passei tantos anos execrando o diretor - quando ele quer, ele sabe ser um porre!!! Mas eu me explico. Eu entendo que a obra seja uma crítica à falta de direção, à arrogância e ao proselitismo vazio daqueles jovens franceses. Também entendo que nada melhor que retratar o discurso verborrágico e, por vezes, quase sem sentido reverberado por eles. Mas, meu Deus, não daria para fazer algo um pouco mais palatável com esse argumento? Porque, para mim, o filme é quase um anti-cinema na medida em que praticamente tudo é transmitido pela fala, pelo discurso falado - são cenas e mais cenas de câmera parada e os personagens discutindo suas teorias filosóficas diretamente para a câmera. As imagens, em si, pouco participavam da mensagem. E haja filosofia!!! A obra é um falatório sem fim, um blá-blá-blá hermético, chato que só, um endeusamento do "Livro Vermelho", aqueles jovens defendendo a Revolução Cultural chinesa - cara, sem condições!!! Uma coisa eu tenho de admitir: Godard foi ousado em duas frentes: de um lado por fazer uma crítica muito óbvia aos caminhos trilhados por aqueles jovens - deve ter angariado uma legião de crítico e "haters"; de outro, por apostar num formato experimental, metalinguístico, onde história e filme por vezes se misturam através de claquetes aparentes, vinhetas diversas e presença da câmera frente à tela. Enfim... o filme é muito discurso filosófico, que sequer segue uma linha sólida - com certeza, para expor o vazio daquelas discussões -, e nada dinâmico. Para não dizer que não aproveitei nada do filme, eu gostei demais da cena de Veronique com o autor no trem - ela começa arrogante, agressiva, cheia de empáfia, interrompendo o escritor a cada fala dele, e termina sendo "jantada" pelo autor, que rebate cada groselha que a jovem diz, expondo seu despreparo e desconexão da realidade. O elenco traz, além do icônico Jean-Pierre Léaud como Guillaume, Anne Wiazemsky como Veronique, Juliet Berto como Yvonne, Michel Séméniako como Henri e Lex De Bruijn como Kirilov. A obra recebeu o Prêmio Especial do Júri no Festival de Veneza (1967). O filme pode ter seus méritos, mas ele é árduo, hein... dificílimo de engolir. Quem tiver curiosidade, assista a ele - mas, antes, descole seu "Livro Vermelho", a bíblia maoísta, beba três litros de café e providencie um pacote de cigarros para entrar no clima. E boa sorte.

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