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“A Convidada”, de Mads Mengel, 2026

hikafigueiredo
há 1 dia
3 min de leitura

Filme do dia (22/2026) – “A Convidada”, de Mads Mengel, 2026 – Elliot, o filho de Karl (Simon Bennebjerg) e Emilie (Mette Klakstein) será batizado. Para tanto, o casal planeja uma grande festa em um hotel à beira-mar. No dia em que antecede o batizado, a mãe de Karl, Vibeke (Trine Dyrholm), chega de surpresa. O desconforto do filho é evidente, mas, a pedido da irmã Rikke (Josephine Park), ele aceita a presença da mãe na festa, o que trará consequências a todos os presentes.


 

Que filme excepcional!!! Que timming perfeito!!! Que desenvolvimento bem-feito, sem saltos, sem rompimentos!!! A narrativa tem início no dia que antecede o batizado. A chegada de Vibeke, mãe de Karl, que não havia sido convidada para o evento, alastra uma tensão sólida no ar. Karl tensiona-se, mostra-se desconfortável e a situação gera uma série de pequenas discussões -Vibeke é a própria cizânia que se impõe. Ao espectador resta uma curiosidade – por que a presença da simpática e sorridente senhora seria um problema? O desenvolvimento paulatino e constante da narrativa dará respostas. Cedo teremos uma informação – Vibeke sofre de alguma condição psiquiátrica, nunca revelada, mas Rikke dá certeza de que a mãe está bem e seguindo seu tratamento minuciosamente. O que se segue é uma bola de neve que sorrateiramente desce a montanha e ganha velocidade à medida em que se aproxima da base. É mais que evidente a inspiração em “Festa de Família”, de Thomas Vinterberg, 1998 – guardadas as devidas proporções, uma vez que o filme de Vinterberg é bem mais “pé na porta” do que “A Convidada”, sentimos o mesmo desconforto e constrangimento com as cenas que se sucedem sem dar chance para um respiro. Vou além: o diretor conseguiu, como poucos, representar uma condição psiquiátrica em sua totalidade. Eu, como bipolar (sim, para quem não sabe, eu sofro dessa condição psiquiátrica), vi um espelho nas reações de Vibeke (não me queiram ver sem medicação rs). Achei incrível como o diretor captou, tão fielmente, um surto psicológico, realmente incrível, me senti representada, muito embora não ache que isso seja muito motivo para meu orgulho rs. O ritmo da narrativa, assim como a tensão, é crescente, o espectador presente algo, sem saber dizer o que virá!!! Prepare-se para sentir-se extremamente desconfortável! Formalmente, o filme traz alguns poucos elementos do movimento Dogma 95, como momentos de silêncio constrangedor com a câmera fechada no rosto dos personagens, extraindo, ao máximo, a tensão e o embaraço da cena. Tudo bem, eu sou suspeita, pois amo o cinema nórdico e, ainda mais, os filmes do movimento Dogma 95, mas, pela reação do público da sala, a admiração foi geral (muitos aplausos!!!)!!! Destaco a interpretação comovente de três intérpretes: Simon Bennebjerg como Karl – o personagem se vê dividido entre evitar o constrangimento que a mãe impõe ao evento e acolhe-la, e o ator consegue demonstrar o tempo inteiro essa dicotomia; Josephine Park como Rikke, irmã de Karl – a atriz traz toda a sobrecarga da personagem, exausta pelos cuidados direcionados à mãe após o afastamento imposto por Karl (aqui caberia uma discussão maior acerca do trabalho cuidador imposto às mulheres no sistema patriarcal, mas acho que sairíamos um tanto do tema rs); e, claro, Tryne Dyrholm como Vibeke – sua interpretação de pessoa em processo de surto é verdadeiramente irretocável!!! Ela não pesa a mão, ela não exagera, não é histriônica em momento algum, nem nos piores momentos. Estou apaixonada pelo trabalho da atriz, sério!!! O filme é MARAVILHOSO, o melhor que eu vi até o momento na Mostra!!! Aconselho MUITO, caso chegue aos cinemas ou stremings. Sétimo filme visto na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.   

 
 
 

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