“Você Não Vai Acreditar Quem Morreu”, de Dallan Shovlin, 2026
Filme do dia (24/2026) – “Você Não Vai Acreditar Quem Morreu”, de Dallan Shovlin, 2026 – Em uma pequena cidade irlandesa, às vésperas do Natal, uma família pouco funcional discorre sobre um assalto ocorrido na região. Subitamente, o filho Dorian (Jacob McCarthy) propõe uma brincadeira - quem seria uma boa vítima para um assalto na região? Convencidos de que eles seriam assaltantes muito mais competentes, a família decide furtar Charlie Bann (Stephen Rea), um fazendeiro local, detestado por todos, sem imaginar as consequências dessa conduta.

O Reino Unido é profícuo na produção de comédias, principalmente as de humor ácido – só para lembrar de algumas, temos “Ou Tudo ou Nada” (1997), “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” (1998), “Snatch – Porcos e Diamantes” (2000), “Adam & Paul” (2004) e “A Parte dos Anjos”, de (2012). Essa produção irlandesa vem se somar ao grupo de filmes que conseguem unir humor ácido e ação, trazendo uma narrativa ágil e extremamente divertida. Tudo tem início quando, uma família reunida às vésperas do Natal, discute sobre o assalto a um fazendeiro conhecido. Os integrantes da família logo concluem que eles seriam muito mais competentes do que os assaltantes do caso em questão, e, quando se dão conta, já estão completamente envolvidos em uma trama rocambolesca para furtar as economias de Charles Bann, um antipático fazendeiro da região. Só que identidades virão à tona e as consequências de tudo serão terríveis. A obra é divertidíssima por muitos aspectos - pelo amadorismo dos planos traçados, pelo ritmo frenético com estrutura de “comédia de erros”, pela incompetência generalizada dos personagens repletos de carisma. Tudo na obra é tão surreal e, ao mesmo tempo, tão possível se considerarmos a burrice humana, que é impossível não cair no riso fácil assistindo ao filme. O diretor Dallan Shovlin utiliza diversos subterfúgios para trazer ritmo à narrativa – a estrutura em capítulos, marcados pelo dia em que acontece cada evento (véspera de Natal, Natal, dia de Santo Estevão...), elementos gráficos em cena, paralelismo -, alcançando um resultado extremamente frenético que certamente agrada o público. Também me diverti com a presença de pequenos dilemas morais enquanto a maior questão não desperta qualquer questionamento – está tudo bem subtrair dinheiro do coleguinha, sabe? Gostei muito da caracterização dos personagens, principalmente da tia meio maluca Rosaleen, interpretada com muito humor por Simone Kirby, do maquiavélico e fantasioso filho Dorian, interpretado por Jacob McCarthy e pela filha inconveniente Ellen, interpretada por Ruth Codd. Nem preciso dizer do ótimo trabalho de Stephen Rea como o sombrio Charles Bann – gosto muito desse ator, escolhe super bem seus papeis. No elenco, ainda, Ardal O’Hanlon como o pai, Michelle Fairley como a mãe, Peter Claffey como o filho mais velho e Michael Colgan como o Padre Kavanaugh. Eu adorei o filme, dei muitas risadas e aconselho bastante, tomara que venha oara os cinemas ou, ao menos, para os streamings. Nono filme visto na 50ª Mostra de Cinema de São Paulo.



Comentários