• hikafigueiredo

"A Fonte das Mulheres", de Radu Mihaileanu, 2011

Filme do dia (123/2015) - "A Fonte das Mulheres", de Radu Mihaileanu, 2011- Em uma vila encravada nas montanhas, em algum lugar entre a África e o Oriente Médio, as mulheres precisam subir uma trilha íngreme e perigosa para chegar à única fonte de água existente no local. Fartas de assumirem o fardo, enquanto os homens da aldeia nada fazem, as mulheres se revoltam e decidem fazer uma greve de sexo até que eles resolvam o problema e tragam a água para a vila.





Filme feminista à moda islâmica, esta obra, "vendida" equivocadamente como uma comédia, é, na realidade, um drama leve que certamente soará como panfletário para os mais conservadores. Na história, as mulheres revoltam-se contra sua situação subjugada com os meios que dispõe - elas fazem greve de sexo, mas apanham todas as noites por causa de sua decisão, o que fará as mais feministas quererem arrancar a roupa e pisar em cima de ódio. Imagino que para aquela cultura tudo soe como muito subversivo, mas para as mulheres ocidentais parece uma revolta bem moderada e até mesmo conformista. Mas deixando o assunto do filme de lado (até porque daria muito pano para a manga para a feminista que vos escreve), a história desenvolve-se bem, tem ritmo e o roteiro, ainda que bem quadradinho, é amarrado e não deixa pontas sem resolver. A direção de arte e a fotografia são beeeeem legais, aproveitando a paisagem natural e a cultura exótica retratada. O filme tem muita música - típica, que fique claro - então prepare-se para muita cantoria em árabe. A personagem principal, Leila, é interpretada por Leila Bekhti, ótima atriz que já havia visto na obra "Antes do Inverno", já comentada aqui. Mas adorei mesmo a personagem "Velho Fuzil", uma das anciãs da aldeia, a qual nem os homens enfrentam e contrariam e que é interpretada pela ótima Biyouna - muuuuuito perfeita! Gostei bastante do filme, mesmo com uma vontade insana de entrar na história à la " A Rosa Púrpura do Cairo" e distribuir bordoada naquele bando de homem sem vergonha.

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