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“A Hora do Mal”, de Zach Cregger, 2025

  • hikafigueiredo
  • 10 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

Filme do dia (56/2025) – “A Hora do Mal”, de Zach Cregger, 2025 – Numa pequena cidade estadunidense, todas as crianças de uma sala de aula, com exceção de uma, desaparecem, misteriosamente, no mesmo dia e horário. Câmeras de segurança gravam as crianças saindo sozinhas e com um comportamento estranho. A polícia busca uma explicação, mas nada parece fazer qualquer sentido.


 

Partindo de um argumento promissor e bastante assustador – existe algo mais aterrador para uma família que o desaparecimento de um filho? -, o filme consegue desenvolver uma narrativa sólida, muito bem construída, que desemboca em um terror sobrenatural bastante impactante. A narrativa é montada a partir das diferentes vivências de diversos personagens, apresentadas separadamente, umas após as outras. Abarcando alguns poucos dias, fragmentos da vida de de Justine, Paul, Archer, Markus, James e Alex nos são apresentados, incluindo diversas interações entre tais personagens. O que inicialmente parece ser apenas um mistério policial, aos poucos vai ganhando cores mais carregadas e estranhas até chegar em soluções que fogem de explicações naturais, abraçando com gosto o aspecto sobrenatural. Eu, como amante de filmes de teor que fogem do óbvio e enveredam por explicações transcendentes, achei a construção da atmosfera e da própria lógica da história muitíssimo bem engendrada e fiquei surpresa com a reação de alguns vizinhos de poltrona de cinema que, pelos comentários desairosos, detestaram a obra. Eu não apenas gostei muito, mas ainda achei o filme bem acima da média das obras do gênero. O filme é prioritariamente de terror psicológico, mas temos espaço para algumas cenas de “jumpscare” (uma delas me fez gritar na plateia rs) e outras mais afeitas ao “gore”. Não é um filme que exige grandes efeitos especiais, mas o pouco exigido foi bem satisfatório. A narrativa é completamente não linear, indo e voltando diversas vezes na cronologia dos fatos. O ritmo é marcado e crescente, explodindo nos últimos vinte minutos. A atmosfera inicial é de mero estranhamento, mas, paulatinamente, ganha tensão, fazendo o espectador crispar na cadeira. Destaque para os três últimos excertos – a de James, Markus e Alex, definitivamente os mais bizarros e tensos. O desfecho, embora assustador, ganha um certo aspecto cômico – eu cheguei a rir, mas um riso engessado, nervoso, e o que se sucede, é definitivamente perturbador (sem spoilers). No elenco, Julia Garner como a professora Justine, Josh Brolin como Archer, Benedict Wong como Markus, Austin Abrams como James, Alden Ehrenreich como Paul, Cary Christopher como Alex e Amy Madigan como Gladys, todos apresentando um ótimo trabalho. Não acho que seja um filme unânime – filmes de terror raramente são -, mas eu gostei demais dele. Visto no cinema (em cartaz atualmente).

 
 
 

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