• hikafigueiredo

"A Ilha do Milharal", de George Ovashvili, 2014

Atualizado: 23 de ago. de 2019

Filme do dia (71/2019) - "A Ilha do Milharal", de George Ovashvili, 2014 - Numa minúscula ilha em meio a um rio, um velho camponês constrói sua casa e começa a plantar seu milharal. O local é palco de disputas entre georgianos e russos e os tiroteios entre os contendentes são constantes. O velho camponês e sua neta terão de lidar tanto com as disputas territoriais quanto com as adversidades da natureza.





Belo, belo, belo. Esta é uma daquelas obras que vertem poesia por todos os poros. Discorrendo sobre o ritmo da vida e da natureza e sobre a ciclicidade de tudo o que nos rodeia, a obra diz muito com pouquíssimas palavras. O filme me lembrou muito - e eu diria até que traça um diálogo bem interessante com - a obra "Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera", de Kim Ki-Duk (2003), pois ambos tratam do mesmo tema e optam por um ritmo extremamente lento, pelo virtuosismo estético e pela quase ausência de diálogos. Não é um filme fácil - o espectador tem de se adequar àquele ritmo que remete à natureza, onde tudo ocorre lentamente e muita gente não terá paciência com isso. A fotografia do filme, por outro lado, convida o público a insistir na obra - cada plano é uma pintura mais linda que a outra. A paleta de cores em tons de verde e amarelo é confortável aos olhos e agradável aos sentidos. A trilha sonora, por sua vez, confunde-se com os sons da natureza, e só é interrompida pelos sons dos disparos ao longe. As interpretações dos atores - Ilyas Salman como o velho camponês e Mariam Buturishvili como a neta - são discretas, contidas e apoiam-se principalmente nas expressões faciais e linguagem corporal, já que quase não há diálogos. Impossível não comentar sobre a beleza exótica de Mariam Buturishvili , que na época contava com dezesseis anos de idade - seus olhos muito oblíquos e expressivos, seu corpo longilíneo e seu rosto todo pintadinho fazem da atriz uma verdadeira joia!!!! O filme é uma obra de arte rara, muito sofisticado e poético como poucos. Amei, apesar do desfecho devastador.

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