• hikafigueiredo

"A Longa Caminhada de Billy Lynn", de Ang Lee, 2016

Filme do dia (136/2018) - "A Longa Caminhada de Billy Lynn", de Ang Lee, 2016 - Billy Lynn (Joe Alwyn) é um jovem soldado de elite de 19 anos que, após uma missão ousada no Iraque que resultou na morte de um integrante do grupo, é condecorado com uma medalha e, junto com sua equipe, recebe alguns dias de folga para retornar para os EUA, onde o grupo é homenageado em um jogo de futebol americano. Durante o período em que se encontra nos EUA, Billy terá de tomar uma decisão.





O filme discorre sobre um assunto controverso nos EUA - a arregimentação de jovens para servir o exército e compor as tropas enviadas às inúmeras guerras criadas pelo país. A obra faz diversas críticas envolvendo a questão: o exército sendo oferecido como alternativa para jovens sem perspectivas, usados como "bucha de canhão" nas guerras; a espetacularização e romantização da guerra; os jovens soldados, sem nenhum preparo emocional, elevados a heróis na mídia num primeiro momento, para, em seguida, serem dispensados, esquecidos e relegados ao limbo; a inadequação dos soldados que, ao retornarem da guerra, não conseguem se adaptar ao antigo mundo em que viviam, dentre outras críticas. No entanto, essa crítica é feita de uma forma tão delicada e sutil, que eu tenho certeza, quase absoluta, de que muita gente não vai perceber/entender e vai fazer uma leitura completamente equivocada, no sentido de acreditar que o filme é uma homenagem à guerra - eu, particularmente, acho que as críticas a esse assunto deveriam ser sempre "pé no peito", daquelas para não deixar margem à dúvidas, à la "Apocalipse Now" ou "Vá e Veja". A narrativa alterna o tempo presente nos EUA com o passado, em meio à Guerra do Iraque, sempre pelos olhos do personagem Billy, que é incitado, pela irmã, a pedir dispensa do exército e tem de tomar uma decisão nesse sentido. O filme demoooooora para engrenar e começar a mostrar a que veio e, até o fim, tive a sensação de que Ang Lee ficou meio em cima do muro, fazendo uma crítica sutil para agradar uns, mas não tanto que desagradasse outros. Na realidade, não vi na obra o ousado diretor de "O Segredo de Brokeback Mountain" - o filme me pareceu muito protocolar e submisso aos ditames de Hollywood e, na minha opinião, isso é sempre péssimo. No que se refere aos quesitos técnicos, gostei da fotografia e direção de arte que evidenciaram o espetáculo, aquela coisa ultra midiática norte-americana, além do nacionalismo brega, exacerbado, truculento e arrogante dos "rednecks" - as cenas no estádio de futebol, com todo o excesso de estrelas, luzes, fogos e cores da bandeira norte-americana, numa proposital poluição visual a demonstrar o exagero de todo aquele espetáculo são fantásticas! Por outro lado, achei o elenco fraquíssimo e quem se saiu melhor foi Kristen Stewart como a irmã de Billy (e que fica relativamente pouco em cena). As cenas com Steve Martin, por sua vez, me soaram assustadoras - não sei se ele está "botoxizado" ou se apagaram digitalmente as rugas de expressão facial dele, mas é fato que a aparência da cara do ator era inumana!! :0 A obra tem méritos por conta das críticas feitas e da qualidade técnica, mas é um filme infinitamente menor do diretor (que eu, normalmente, adoro). Para ser visto com reservas.

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