• hikafigueiredo

"A Noite dos Desesperados", de Sydney Pollack, 1969

Filme do dia (155/2016) - "A Noite dos Desesperados", de Sydney Pollack, 1969 - Década de 30, EUA. Em plena Depressão, vários casais, dentre os quais Gloria (Jane Fonda) e Robert (Michael Sarrazin) escolhem participar de uma maratona de dança, cujo par vencedor ganhará 1.500 dólares, uma verdadeira fortuna para a época. Entre os participantes, toda a sorte de desesperados e desiludidos, que se degladiam em busca da vitória.





Drama fenomenal, que mostra toda a sordidez humana e como o "sonho americano" nada mais é do que um moedor de gente. A certa altura, o mestre de cerimônias enfatiza que a maratona em questão reflete a busca pelo sucesso, um retrato da América - nas entrelinhas, não importa se você arrancará seu couro nessa procura, não faz mal que você se arrebente e que todos ao redor se destruam mutuamente - o que importa é a vitória. Filme bem oportuno em um momento em que a sociedade parece cada vez mais cega atrás de sonhos vazios e em um tempo em que dinheiro e sucesso parecem ter mais valor que paz de espírito, saúde e dignidade. A obra admite muita filosofia em cima dela, vale a pena digeri-la com paciência. Além de retratar, não apenas a realidade daquele período da Depressão, mas toda a lógica sob o modo de vida capitalista, o filme ainda consegue criar um clima de desespero, claustrofobia e sofreguidão, uma coisa agoniada, que mexe com o espectador. Não espere um final redentor - não, ele não acontecerá desta forma, niilismo define. Tecnicamente é um filme perfeito, com destaque para a fotografia que recorta rostos e olhos, e para a montagem que ajuda a criar o desespero já mencionado - a montagem das cenas das "corridas" dos participantes é fantástica! As interpretações de Jane Fonda como a desiludida Gloria e de Michael Sarrazin como o apático e obediente Robert são fantásticas, mas quem ganhou Oscar de Ator Coadjuvante e Globo de Ouro foi Gig Young, como o horroroso mestre de cerimônias Rocky. O filme é esplêndido, vale MUITO a pena e recomendo... mas prepare-se para se sentir um vazio insuportável ao final.

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