top of page
  • hikafigueiredo

"A Partida", de Yojiro Takita, 2008

Filme do dia (93/2022) - "A Partida", de Yojiro Takita, 2008 - Após se ver desempregado, o violoncelista Daigo (Masahiro Motoki), retorna, com sua esposa Mika (Ryoko Hirosue), para sua cidade natal, onde busca um novo emprego. Atraído pelo bom salário, Daigo acaba sendo contratado para preparar os corpos de pessoas mortas para seus funerais, uma atividade considerada vergonhosa pela sociedade, mas que trará muitas lições ao jovem músico.





Assisti a esse filme pela primeira vez há bem uns doze ou treze anos. Na época, chorei como uma criança na sequência final. Reassistindo à obra, confirmei o que tinha na lembrança: é um filme belíssimo, de delicadeza e sensibilidade ímpares. A narrativa discorre sobre empatia, respeito, cordialidade, gratidão, perdão, autoconhecimento, mas, acima de tudo, sobre afeto. Será através do mais puro afeto que o protagonista se relacionará com cada um dos seus "clientes" e com os familiares destes. Mais do que um trabalho, preparar os corpos dos falecidos com o máximo de respeito e profissionalismo torna-se uma missão para Daigo, que encontra, na atividade, um sentido para sua vida. Temos de lembrar que o povo japonês é bastante apegado a tradições e rituais - e o trabalho exercido pelo personagem é profundamente ritualístico. Pode parecer mentira, mas, ao longo da narrativa, o espectador ficará fascinado pela beleza plástica do preparo dos corpos feito pelo protagonista. Apesar de envolver a morte, o filme é, antes de tudo, uma celebração da vida e das relações de afeto, e, o trabalho de Daigo, uma maneira profundamente amorosa de demonstrar a importância de cada uma daquelas pessoas que se foram e de dizer adeus a elas. A narrativa é não-linear - ela começa em um determinado momento, regressa para o passado, segue a cronologia até aquele momento inicial e daí em diante continua em direção ao futuro, ao mesmo tempo em que temos diversos flashbacks da infância do personagem principal (não sei se fui clara... rs). O ritmo é moderado, mas, considerando os parâmetros do cinema japonês, muitíssimo menos lento do que de costume. A atmosfera é doce, delicada, é realmente um filme envolto em muito afeto - e que me deixa realmente tocada. O filme é bastante convencional na forma, seguindo um padrão mais norte-americano que oriental - temos, por exemplo, o uso de trilha musical em momentos mais "emocionais", algo muito mais comum em filmes hollywoodianos do que no cinema japonês, que, via de regra, não faz uso de música para "manipular" o sentimento do espectador (isso, nos filmes norte-americanos, normalmente me irrita porque é muito escancarado; aqui, o diretor foi bem mais sutil). O elenco do filme é encabeçado por Masahiro Motoki, que entrega um personagem extremamente humano e empático; a personagem Mika, esposa de Daigo, é interpretada por Ryoko Hirosue, bem no papel, mas nada de excepcional; o ator veterano Tsutomo Yamazaki , que trabalhou diversas vezes com a lenda Akira Kurosawa, interpreta o empregador de Daigo, o Sr. Sasaki, numa interpretação muito feliz; no elenco, ainda, Kazuko Yoshiyuki, Takashi Sasano, Kimiko Yo e Tetta Sugimoto. O filme foi agraciado com o Oscar (2009) de melhor Filme Estrangeiro, muito merecidamente. A obra é muito, muito sensível, eu amo esse filme. Recomendo demais!!!!

1 visualização0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
bottom of page