• hikafigueiredo

"A Queda do Tirano", de Carl Th. Dreyer, 1925

Filme do dia (149/2019) - "A Queda do Tirano", de Carl Th. Dreyer, 1925 - Ida (Astrid Holm) é uma jovem esposa e mãe, casada com Viktor (Johannes Meyer). O marido, tirânico, trata com brutalidade a esposa e seus filhos, a ponto de adoecer Ida. Com a ajuda de Mads (Mathilde Nielsen), a antiga babá de Viktor, Ida fará com que Viktor reveja suas atitudes.





E Carl Theodor Dreyer segue me surpreendendo. Um ano após realizar um filme de temática gay em "Michael", o diretor passa para outros assuntos controversos, ainda discutidos quase cem anos depois de sua obra - o machismo e o direito das mulheres. Em "A Queda do Tirano" temos um exercício de sororidade, quando duas mulheres se unem para acabar com o domínio masculino sobre uma delas. No início do filme, o personagem Viktor é um canalha, que destrata, constantemente, a esposa Ida. Cruel e desumano, Viktor faz de Ida uma verdadeira escrava, enquanto seus filhos são ignorados ou castigados por qualquer coisa. Doente, próxima à exaustão, Ida abandona o lar, entregando o serviço da casa à ex-babá de Viktor, uma senhora idosa cuja mão de ferro transforma, aos poucos, as atitudes do antigo carrasco. É fantástica a maneira como a personagem Mads se coloca, a autoridade que a antiga preceptora tem sobre o agora homem adulto, todo autoritário com a esposa, mas submisso à babá. Lógico que há um limite para a "modernidade" da história - Ida não terá algo próximo à independência, mas, ao menos, sua importância para o lar e para a família será reconhecida. E Viktor mudará sua postura frente ao trabalho doméstico, de um jeito que é difícil de ver até hoje em dia em muitas casas e famílias. Ainda que incipiente, diria que "A Queda do Tirano" é uma obra feminista, com o feminismo possível para aquele tempo. E a cada filme que vejo do diretor, mais e mais o admiro!!!! A tríade de intérpretes é muito boa, extremamente expressivos - lembrando que se trata de um filme mudo, onde toda e qualquer emoção precisa ser transmitida através de expressões corporais e faciais - mas o destaque absoluto fica com Mathilde Nielsen, a atriz que interpreta a babá - pensa na figura de um general e você estará imaginando algo parecido com Mads!!!! Seu olhar faria se comportar até uma horda de ostrogodos, nem precisaria dizer nada. A obra é excepcional, não só pela temática, mas também como se dá a narrativa e a transformação gradual de Viktor. Filmaço. Recomendo.

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