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  • hikafigueiredo

“A Semente Maldita”, de Mervyn LeRoy, 1956

Filme do dia (11/2024) – “A Semente Maldita”, de Mervyn LeRoy, 1956 – Após saber do afogamento de uma criança em um piquenique no parque, Christine (Nancy Kelly) começa a desconfiar do envolvimento de sua filha Rhoda (Patty McCormack), de oito anos, no acontecido.




 

Também conhecido como “A Tara Maldita”, o filme é um suspense um pouco forçado a respeito de uma mãe que desconfia que sua filha de oito anos possui uma séria psicopatia, sendo, possivelmente, responsável pela morte de um coleguinha. O argumento interessante, no entanto, perde-se ao longo da história por conta da tentativa bisonha em explicar o surgimento da suposta psicopatia, levando a uma discussão canhestra sobre hereditariedade versus influência do ambiente – não sei em que ponto os estudos psiquiátricos estavam na década de 1950, mas as explicações propostas e, principalmente, a conclusão que a narrativa oferece chega a ser patética nos dias atuais, como se houvesse uma linhagem de psicopatas ou como se um ambiente desfavorável levasse ao surgimento de um transtorno de personalidade de tal gravidade. A obra certamente teria um resultado mais eficiente se o roteiro tivesse se concentrado em descortinar o transtorno de personalidade da personagem ao invés de tentar explicá-lo, o que se demonstrou completamente desnecessário para a história, quebrando, na minha opinião, a atmosfera de tensão construída até aquele ponto. A narrativa é completamente linear, em ritmo vagaroso, adequado para um filme de suspense. A atmosfera de tensão e dúvida é bem construída, apesar de ser, em parte, minada pelas explicações “científicas” já mencionadas.  Mas, o que mais me “pegou” (negativamente) na história foi o desfecho – muito, mas MUITO, bizarro e totalmente aleatório. A sensação que eu tive é que o roteirista se perdeu no final da narrativa e tirou, sabe-se lá de onde, um desfecho condizente com a moralidade da época. Tivesse ido por outro caminho e terminado a história uns dez minutos antes, o filme seria infinitamente mais instigante e “redondinho”. A obra trava um diálogo bem íntimo com os filmes “Os Inocentes” (1961) e “Anjo Malvado” (1993), sendo suplantado, de longe, pelo primeiro (na minha opinião, um dos melhores filmes de terror psicológico já feito na história do cinema). O filme traz uma fotografia P&B suave, não utilizada, em momento algum, como elemento para criar atmosfera (um desperdício). O elenco é composto por Nancy Kelly como a mãe Christine, assombrada não apenas pelas suspeitas da maldade da filha, mas, também, por uma descoberta acerca de si própria. A atriz cumpre bem a personagem, mas é impossível não fazer uma comparação meio tosca com Debora Kerr em “Os Inocentes”, na qual Kelly perde de braçada; a atriz mirim Patty McCormack, para mim, sai-se melhor como Rhoda – a construção da personagem talvez seja o mais interessante do filme, já que Rhoda mostra uma personalidade tipicamente psicopata: não tem empatia alguma, age friamente de acordo com seus interesses, é egoísta, dissimulada e autocentrada, possuindo um jeito doce e bajulador que esconde toda a sua hipocrisia e crueldade; Evelyn Varden interpreta a personagem Monica,  amiga da família, e Eileen Heckart, a personagem Mrs. Daigle, mãe da criança falecida. Eileen Heckart foi agraciada com o Globo de Ouro (1957) de Melhor Atriz Coadjuvante pelo papel, na minha opinião não merecido, pois sua interpretação foi extremamente forçada (detestei), - preferia que Patty McCormack tivesse levado o prêmio, já que também foi indicada nessa categoria. O filme foi indicado ao Oscar (1957) nas categorias de Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Fotografia, mas saiu sem prêmios. O filme é razoável, cumpre bem a intenção de causar suspense, mas termina de jeito absurdo – em todo caso, não chega a ser desprezível. Recomendo com ressalvas.

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