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  • hikafigueiredo

"A Senhora da Van", de Nicholas Hytner, 2015

Filme do dia (03/18) - "A Senhora da Van", de Nicholas Hytner, 2015 - Londres, 1970. O dramaturgo inglês Alan Bennett (Alex Jennings) se muda para o bairro de Camden Town, onde conhece a sem-teto Mary Sheperd (Maggie Smith), uma senhora idosa, excêntrica e de temperamento difícil que vive em uma van estacionada em plena via pública. Com o tempo, o relacionamento entre o autor e a idosa se estreita e ela passa a viver na van estacionada na entrada da garagem de Alan, local onde permanece por inacreditáveis 15 anos.





Baseado na peça teatral autobiográfica de Alan Bennett, o filme tenta desvendar um pouco da natureza humana através da relação entre o autor e a idosa. Discorre-se não somente acerca da sem-teto, mas, também - e muito - sobre o próprio autor, sua solidão, sua relação com a mãe, sua dificuldade com contatos sociais e sua homossexualidade. É um filme melancólico, pois tanto Mary (na verdade, Margareth), com sua frustração relacionada ao afastamento prematuro da música (sua grande paixão), sua profunda religiosidade e sua culpa relacionada à morte de um jovem, quanto Alan, são pessoas solitárias, problemáticas e incompreendidas. Quanto à forma, achei interessante a opção em mostrar Alan "dividido" em duas pessoas - o autor e "aquele que vive socialmente" - as quais conversam, discutem e frequentemente discordam entre si, algo ligeiramente esquizofrênico mas que funcionou muito bem no filme. A maneira como a homossexualidade do autor é tratada também merece destaque - de forma discreta, nunca exposta diretamente, sempre sugerida, ainda que evidente. A escolha do elenco não poderia ser mais acertada - Maggie Smith, o estereótipo da senhora inglesa, cede uma certa empáfia à sem-teto, o que é absolutamente condizente à altivez (praticamente arrogância) da idosa, a qual jamais baixa a cabeça ou responde eventual gentileza com um simples "obrigada". Já Alex Jennings, com um visual que me remeteu, o tempo todo, ao astro Elton John, oferece ao seu personagem uma paciência digna de um homem santo e uma resiliência rara às vicissitudes da vida, sempre com o típico ar "blasé" inglês (que eu simplesmente A-D-O-R-O!!!! rs). Eu curti, até porque amo a Maggie Smith (a mulher é um monstro!!!), e por isso recomendo.


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