• hikafigueiredo

"A Vida Secreta das Palavras", de Isabel Coixet, 2005

Filme do dia (163/2015) - "A Vida Secreta das Palavras", de Isabel Coixet, 2005 - Hanna (Sarah Polley) é uma jovem tímida e introspectiva. Ela trabalha em uma fábrica, em uma função que exige movimentos mecânicos e repetitivos. Um dia, obrigada pela empresa a tirar férias, ela viaja e acaba se deparando com a oportunidade de trabalhar como enfermeira para Josef (Tim Robbins), que acabara de sofrer um acidente em uma plataforma de petróleo. O homem, temporariamente cego, estabelece uma conexão com a jovem enfermeira, o que o fará descobrir os terríveis segredos por trás da timidez de Hanna.





Obra tipicamente "tapa na cara", o filme inicia com relativa leveza e, pouco a pouco, vai mergulhando no inferno interior da personagem. A última descoberta do espectador é terrível e quase insuportável. É bem interessante como o filme é sutil - em várias oportunidades, o espectador precisa ler nas entrelinhas a mensagem exata, pois em momento algum as dores, os sofrimentos, são explicitados em palavras. Também é impressionante como o filme escancara o sofrimento dos personagens e relativiza algumas dores - sim, sempre é possível existir uma história mais sofrida que a sua e Josef descobre isso de maneira bem dolorosa. O filme é excepcionalmente bom, mas é preciso estar preparado para a tristeza que ele causa. Tecnicamente o filme é igualmente ótimo. O roteiro é perfeito, não tem o que tirar nem pôr. A interpretação de Sarah Polley é impecável - extremamente contida, como alguém que carrega dor insuportável por excessivo tempo, mantendo-a em segredo, os movimentos são delicados e sutis, as expressões faciais discretíssimas, mas carregadas de mistérios e sofrimento, perfeita, perfeita. Tim Robbins, de quem sou fã de carteirinha está bem, mas acaba apagado pela atuação de Sarah Polley. Ainda tem uma pequena participação de Julie Christie e Javier Câmara ("Fale com Ela", "Amores Passageiros"). O único detalhe negativo, na minha opinião, foi a trilha sonora repleta de musiquinhas suaves e bossa nova, que seriam perfeitas para um filme romântico, mas me pareceram absolutamente equivocadas para o drama que se segue. Mas tirando isso, o filme é bem redondinho e merece uma visita! Muito bom e muito triste.

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