• hikafigueiredo

"Amargo Regresso", de Hal Ashby, 1978

Filme do dia (83/2022) - "Amargo Regresso", de Hal Ashby, 1978 - EUA, 1968. O capitão Robert Hyde (Bruce Dern) é convocado para a Guerra do Vietnã. Enquanto ele se encontra no front, sua esposa Sally (Jane Fonda) passa seu tempo como voluntária no hospital de veteranos. Lá ela encontra o sargento Luke Martin (Jon Voight), um ex-colega de escola que voltara paraplégico do Vietnã. Rapidamente, Sally e Luke se apaixonam, dando início a um intenso romance.





Sob o pretexto de retratar o triângulo amoroso entre Robert, Sally e Luke, a obra permite que o espectador tenha uma pequena mostra do horror da Guerra do Vietnã, sob o ponto de vista daqueles que vivenciaram diretamente o combate. Através das falas dos personagens Luke, Robert e Bill, o público entra em contato com os traumas advindos da guerra e com a dificuldade encontrada pelos veteranos em se readaptarem à sociedade. O filme, bastante crítico, é um evidente manifesto pacifista, dando voz àqueles que voltaram do Vietnã sem qualquer visão romântica da guerra e com a total percepção do verdadeiro significado daquele conflito, isso tudo sem mostrar uma única imagem do combate. Considerando a época em que foi feita, a obra me pareceu uma tentativa de expurgar os traumas que restaram daquele conflito na sociedade norte-americana, fortemente marcada por aquele episódio. A narrativa é linear, tem um desenvolvimento bastante convencional e um ritmo de lento a moderado. Dos quesitos técnicos, destaco a trilha musical excepcional, marcada por inúmeros hits da época, dentre os quais "Hey Jude" e Strawberry Fields Forever" dos Beatles, "Born To Be Wild" de Steppenwolf, "Jumpin' Jack Flash", "Ruby Tuesday" e "Sympathy For The Devil", dos Rolling Stones, além de músicas de Bob Dylan, Aretha Franklin, Jefferson Airplane e Simon & Garfunkel - só fera! Outro destaque inequívoco é o elenco encabeçado por Jane Fonda como uma Sally em franca mudança, Jon Voigt como o revoltado Luke e Bruce Dern como o traumatizado Bob, todos em interpretações marcantes e primorosas. Por seu trabalho, Jane Fonda foi agraciada com o Oscar (1979) de Melhor Atriz e o Globo de Ouro (1979) de Melhor Atriz em Filme Dramático; Jon Voight, da mesma maneira, recebeu o Oscar e o Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator, além do Premio de Melhor Interpretação Masculina em Cannes (1978), e em diversos outros festivais menores; Bruce Dern, por sua vez, concorreu ao Oscar e ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator Coadjuvante, mas acabou não levando os prêmios. O filme ainda foi premiado com o Oscar de Melhor Roteiro Original. Minha única reclamação acerca da obra é o anticlímax do desfecho - nem sei o que eu esperava, só sei que era alguma outra coisa rs. O filme é bem legal, acho uma boa pedida. Recomendo.

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