• hikafigueiredo

"Amor e Dor", de Lou Ye, 2011

Filme do dia (143/2021) - "Amor e Dor", de Lou Ye, 2011. - Hua (Corinne Yam) é uma estudante chinesa em Paris que se envolve com Matthieu (Tahar Rahim), um homem rude e violento, desenvolvendo-se uma relação doentia entre ambos.





Não sei exatamente qual foi o objetivo do diretor ao fazer esse filme, mas quero crer que foi alertar para as armadilhas dos relacionamentos abusivos, pois a obra retrata uma relação completamente doentia entre os personagens Hua e Matthieu. A personagem Hua é o exemplo de mulher sem amor próprio, que se deixa envolver e levar por relacionamentos "tortos", sendo desrespeitada e abusada constantemente, mas, ainda assim, cedendo e permitindo todas as formas de abuso possíveis. Matthieu, por sua vez, é o verdadeiro estereótipo do homem abusivo - ele é possessivo, ciumento, chantagista, manipulador, mentiroso, infiel, cruel, machista e, lógico, violento. Como toda pessoa abusiva, ele alterna momentos de doçura - oportunidade em que "enreda" sua vítima com promessas de amor e cuidados eternos - com situações extremamente violentas. E é nesse universo que o filme passeia. Algumas situações da obra, incluindo aí o primeiro encontro entre Hua e Matthieu, chegam a ser revoltantes, por isso, pode esperar se incomodar e se irritar ao longo da narrativa por diversas vezes. A grande questão, aqui, é o motivo que leva Hua a aceitar essa espiral de desrespeito e o que se pode fazer para romper o ciclo de abusos. A narrativa é linear e o ritmo moderado. A atmosfera é de desespero - eu tive vontade de entrar na história para sacudir a personagem Hua e dizer "não deixe ele fazer isso com você, pelamor!!!!!!!", ao mesmo tempo em que queria acertar Matthieu com um taco de baseball. Achei excessivo as cenas de sexo entre Hua e Matthieu, dando a impressão que era isso que sustentava a relação. Também não sei se foi opção do diretor, mas achei a interpretação de Corinne Yam muito apática, ainda que isso combine com a personalidade da personagem Hua - um olhar sempre vazio, uma ausência de atitude, sei lá, isso também me incomodou demais. Por outro lado, Tahar Rahim está fabuloso como Matthieu - eu, que adoro o ator, tive ganas do personagem a ponto de ficar com raiva do intérprete, sinal de que ele estava ótimo no papel. Vejo o filme como um bom alerta às mulheres que estão embarcando em relacionamentos furados - observe os sinais desde cedo e se convença de que, não, homens abusivos não vão mudar por "amor" a você, caia na real! A obra é incômoda, mas válida. Recomendo pela temática abordada.

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