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“Antes do Amanhecer”, de Richard Linklater, 1995

  • hikafigueiredo
  • 14 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Filme do dia (83/2025) – “Antes do Amanhecer”, de Richard Linklater, 1995 – a jovem francesa Céline (Julie Delpy) conhece, em um trem, o estadunidense Jesse (Ethan Hawke). Ela está voltando para Paris, ele, na manhã seguinte, volta para os EUA. Intrigados e decididamente atraídos um pelo outro, decidem passar juntos, em Viena, o tempo que resta para partirem.

 


A obra é o ponto de partida da “Trilogia do Antes” e eu, sabendo superficialmente da história, esperava um romance meloso e muita química sexual entre os protagonistas. Errei feio. Vi, na obra, menos intenção de enternecer corações e muito mais o intuito de instigar, filosoficamente, a nossa reflexão acerca das relações humanas, especialmente as amorosas. Ao longo da narrativa, acompanhamos os personagens tentando se conhecer, extraindo informações acerca do cotidiano e das vivências um do outro, muito embora, aparentemente, a conexão emocional/sensorial tenha se estabelecido desde o primeiro instante. Diferente do que eu esperava, a ligação dos protagonistas pareceu se dar muito mais no âmbito das ideias do que da “química” propriamente dita. É um filme com muito – mas MUITO mesmo! – diálogo: o casal recém-formado mostra uma ânsia irrefreável de saber mais um sobre o outro. E falam de tudo e sobre tudo, dos assuntos banais às reflexões profundas acerca das coisas do mundo. Eu diria que esta obra foi um esboço para o quase caótico e profundamente filosófico “Waking Life” (2001), do mesmo diretor e com a “vibe” parecida, mas multiplicada por mil. Ao longo da narrativa, à medida em que as horas passam, quanto mais próximos os personagens ficam entre si, mais confortável também parece que ficamos em relação a eles – é quase um romance a três rs. Também tive um sentimento de angústia, uma sensação de perda inestimável, quanto mais próximo ficávamos da hora de partir – pois também seria uma despedida a três! Eu, que nem de romance gosto, me vi apegada àquela situação e àqueles personagens, quase hipnotizada por aquilo tudo. E justamente por fugir muito do lugar comum, por ser tão diferente dos romances “românticos” usuais, eu me vi curtindo o filme e muito interessada naquela falação sem fim. Usando uma expressão usada pela própria Céline, aqueles momentos foram um verdadeiro estudo antropológico. Eu gostei do filme e estou curiosa pelo resto da trilogia. Disponível em streaming na HBO Max e na Claro TV+, e para compra no Apple TV.

 
 
 

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