• hikafigueiredo

"Arlequina em Aves de Rapina", de Cathy Yan, 2020

Filme do dia (84/2020) - "Arlequina em Aves de Rapina", de Cathy Yan, 2020 - Após romper seu relacionamento com o Coringa, Arlequina (Margot Robbie) perde a proteção que possuía por ser a companheira do malfeitor e passa a ser "caçada" por todos seus desafetos de Gothan City e envolve-se com uma garotinha que está sendo perseguida pelo bandido Máscara Negra (Ewan McGregor).





Well... Melhor do que eu achei que o filme poderia ser, ele tem pontos positivos e negativos. De positivos, eu diria principalmente a temática. Temos aqui um belo exercício de empoderamento feminino, a emancipação da personagem Arlequina de um relacionamento tóxico, a dessexualização das personagens femininas de HQ (que aqui não estão embaladas a vácuo como se fossem "jerked beef" ou seminuas) e um ótimo exemplo de sororidade - a junção das personagens femininas Arlequina e Aves de Rapina realmente faz bem ao imaginário feminino e é, ainda, um oásis de representatividade, pois, habitualmente, filmes de super-heróis (ou, eventualmente, super-vilões) tem uma participação pífia de personagens femininas/atrizes, quase sempre relegadas a segundo plano e sempre hiper sexualizadas, o que não ocorre aqui. Por este motivo, posso dizer que o filme me agradou de sobremaneira. Além disso, temos uma qualidade técnica inegável - fotografia, direção de arte, edição de som e efeitos especiais, tudo de primeira qualidade. Destaque para uma trilha sonora pesada, com muito rock e ainda com a música "Barracuda", do Heart, na principal cena de luta, dando vontade de subir nas cadeiras do cinema e pular junto com as meninas do filme - amei!!!! Maaaaaas... como nem tudo são flores, temos também os defeitinhos... Acho que, de negativo, o que mais me incomodou foram o roteiro e o ritmo meio esquizofrênicos - a narrativa, na primeira meia hora, me pareceu quase aleatória, demorou muito para engrenar e seguir uma "linha" principal; e o ritmo, Jesus, aquilo parece um grande videogame, não tem uma pausa para fôlego (eu sei que muita gente vai achar isso uma virtude, mas eu sou daquelas que gostam de ter um tempo para "trabalhar" as ideias apresentadas na obra, um ritmo acelerado demais me cansa e "dá preguiça"). No que tange às interpretações, acho Margot Robbie uma grande atriz, mas vi na Arlequina muitos trejeitos e caretas que também vi em "Eu, Tonya" (2017), o que me causou um certo estranhamento e mesmo que ambas as personagens não sejam psicologicamente equilibradas, acho que mereciam maior distanciamento entre as duas interpretações; Ewan McGregor está um vilão incrível (eu adoro esse ator) e consegue despertar toda a sorte de fúria feminina (destaque para a cena da moça na boite); gostei demais das personagens e interpretações da Caçadora/Mary Elizabeth Winstead e Canário/Jurnee Smollett-Bell, ambas muito fodonas!!!! No elenco, também Rosie Perez como Renee Montoya, vivenciando tudo o que "bropriating" é capaz. Passando a régua, eu gostei da obra muito mais do que eu previa, até me surpreendendo com o resultado. Obviamente, não sei quão distante está a história do universo DC dos quadrinhos, por isso nem vou entrar nesse mérito. Mas, para o leigo - e especialmente para A leigA - o filme é bem bacana. Curti e recomendo para meninas em particular!!!!

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