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  • hikafigueiredo

“Asilo Sinistro”, de Mark Robson, 1946

Filme do dia (60/2023) – “Asilo Sinistro”, de Mark Robson, 1946 – Londres, 1761. Nell Bowen (Anna Lee) é uma jovem atriz protegida do poderoso e rico Lorde Mortimer (Billy House). Quando ela visita a instituição psiquiátrica Bedlam, ela fica chocada com as condições impostas aos albergados e volta-se contra George Sims (Boris Karloff), responsável pelo local, sem imaginar que ganhará um perigoso inimigo.





Sei que o gênero terror engloba uma série de temáticas, incluindo temas que variam de serial killers a situações desconfortáveis, mas, para mim, terror de verdade é aquele ligado a questões sobrenaturais. Por esse motivo, ainda que “Asilo Sinistro” seja classificado como terror, eu o vejo mais como um drama com toques de suspense. O filme foi o último de uma série de filmes de terror “B” realizados pela produtora RKO e traz, como chamariz, o ícone Boris Karloff. A história se passa em Londres, em meados do século XVIII, e tem como mote os horrores ocorridos no interior do asilo Bedlam, uma instituição para doentes mentais. Na verdade, o que a obra retrata não chega nem aos pés dos verdadeiros horrores que aconteciam (e ainda devem acontecer) nas instituições psiquiátricas reais (sobre isso, aconselho o livro “Holocausto Brasileiro”, de Daniela Arbex), mas o filme consegue criar um clima de tensão bastante válido e ainda tem o mérito de acordar o espectador de hoje para a luta antimanicomial. Não deixa de ser perturbadora a ideia de que pessoas sãs pudessem achar graça de indivíduos com condições psiquiátricas as mais diversas – onde o sofrimento alheio é engraçado? – tal como a obra retrata. A narrativa é linear, em ritmo moderado e constante. O filme traz uma atmosfera de tensão sólida, bastante reforçada pela fotografia P&B ultra contrastada do interior do asilo, muitíssimo bem aproveitada e que nos remete às obras do expressionismo alemão da década de 20. Curioso que o filme foi inspirado em uma série de pinturas de William Hogarth, “A Rake´s Progress” de 1732-1734, que contava uma história e terminava no Hospital Bedlam. O roteiro é bem amarradinho, sem pontas soltas, e consegue construir os personagens com cuidado incomum para um filme “B”. O desenho de produção é pouco convincente, apesar de caprichado e estiloso – gostei bem mais da parte do hospital do que das cenas da corte. O elenco traz Boris Karloff como o ignóbil George Sims, um home perverso, cruel e vingativo, que tem, sob seu poder, inúmeros inocentes doentes, que sofrem com sua maldade. Boris Karloff era ótimo nestes papeis de vilão e aqui ele interpreta o personagem Sims com especial brilho; gostei bastante do trabalho de Anna Lee como Nell Bowen, a atriz, que me era desconhecida, é bastante expressiva e curti como interpretou a personagem; Richard Fraser interpreta o personagem Hannay; Billy House, o Lorde Mortimer; e Ian Wolfe, o ex-advogado Sidney Long. O filme é beeeeeem legal (ainda que não seja terror para mim), a melhor obra até agora do box “Obras Primas do Terror 18”, da Versátil. Gostei muito e aconselho.

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