• hikafigueiredo

"Assassinato em Primeiro Grau", de Marc Rocco, 1995

Filme do dia (219/2021) - "Assassinato em Primeiro Grau", de Marc Rocco, 1995 - Após três anos de cela solitária, o prisioneiro de Alcatraz Henry Young (Kevin Bacon) assassina brutalmente outro detento. O advogado James Stamphill (Christian Slater) é destacado para fazer a defesa do prisioneiro e depara-se com a terrível realidade de Alcatraz.





Baseado em um caso real, o filme expõe a crueldade como eram tratados os detentos na prisão de Alcatraz e quanto o sistema carcerário é terreno fértil para, de um lado, sádicos e psicopatas colocarem para fora seus instintos maléficos, torturando de diversas formas os homens que estão sob seu poder, e, de outro, criar homens com sanha assassina e sede de vingança. Criada como prisão de segurança máxima para gangsteres perigosos, Alcatraz rapidamente tornou-se cárcere para presos comuns, condenados por crimes leves, caso de Henry Young. Por tentar uma fuga, malsucedida, Henry foi levado à solitária e "esquecido" por lá por mais de três anos. É impossível não assistir ao filme e sentir revolta da maneira como os prisioneiros eram tratados no local - sabendo, inclusive, que a violência e a tortura ainda são a regra em inúmeras prisões mundo afora. Acerca do tema, vale a pena assistir outras obras que discorrem sobre ele, tais como "A Experiência" (2001) e "O Experimento de Aprisionamento de Stanford" (2015) - dois filmes sobre a mesma experiência científica que evidenciou que homens com excesso de poder sobre outros tendem a extrapolar os limites e, com frequência, abusam da violência e de supostos métodos correcionais. A narrativa é predominantemente linear, muito embora conte com algumas cenas de flashback. O ritmo é moderado, e, a atmosfera, angustiante. A obra é tecnicamente padrão Hollywood - muito bem feita, mas sem grandes destaques. O elenco é estrelado e, ainda que Kevin Bacon esteja bem como Henry Young e Christian Slater arrebate o público como o advogado Stamphill, eu destacaria o trabalho exemplar de Gary Oldman como o responsável pelo presídio, Milton Glenn - bem ao gosto do ator, o personagem é daqueles que esbanjam cinismo e sadismo, sendo um canalha da cabeça aos pés. Apesar de não ser muito lembrado pelo público, o filme tem qualidades e vale a pena ser visto pelo tema incômodo e necessário de como são tratadas as pessoas marginalizadas e quão improvável é qualquer reabilitação dentro de um sistema prisional violento e rancoroso. Eu curti e recomendo.

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