• hikafigueiredo

"Até o Vento Tem Medo", de Carlos Enrique Taboada, 1968

Filme do dia (431/2020) - "Até o Vento Tem Medo", de Carlos Enrique Taboada, 1968 - Em um internato para garotas, uma das alunas começa a ter pesadelos recorrentes, o que a leva a descumprir, junto com suas colegas, algumas orientações da diretora. Por essa razão, seis meninas são castigadas, devendo permanecer na escola durante suas férias. Os pesadelos, no entanto, irão de tornar cada vez mais assustadores, indicando que alguma coisa está errada com aquele lugar.





Para mim, um bom terror é aquele que envereda pelo terreno do sobrenatural - assassinos em série e mortes escabrosas nem me fazem cócegas perto de qualquer coisa vinda do além. Como já disse dezenas de vezes, também tenho predileção pelo terror psicológico - minha imaginação é sempre bem pior do que qualquer coisa que inventem de colocar na tela. Mas, existem filmes que aliam ambos os fatores e, mesmo assim, não conseguem criar, em mim, aquele medo ancestral que não me deixa apagar as luzes na hora de dormir - e este foi o caso desta obra. Representante do terror gótico mexicano, o filme adentra pelo universo do sobrenatural e pode ser classificado como terror psicológico, já que cimentado no velho "climão" de tensão, mas o ritmo é tão lento e os acontecimentos tão espaçados que dá tempo para que o espectador antecipe qualquer coisa que venha a ocorrer ao longo da narrativa. Em outras palavras - previsível até os ossos. As situações que acontecem poderiam funcionar bem melhor se houvesse um pouco mais de sutileza e um ritmo mais compassado e, assim, surpreendessem o espectador. À fragilidade do roteiro alia-se uma interpretação muito carregada, com as típicas "caras e bocas" do dramalhão mexicano, o que não ajudou, em nada, a fortalecer a atmosfera de medo e apreensão. O que aconteceu, por sinal, foi o contrário - a interpretação fraca de alguns atores e atrizes me divertiu em diversos momentos do filme e eu cheguei a rir em uma ou duas cenas - não, isso não é concebível em um filme de terror! Cabe dizer, ainda, que boa parte do que eu não gostei no filme esteve ligada à escolha de elenco e da atuação deste. As "garotas", que supostamente deveriam ter uns quinze ou dezesseis anos foram interpretadas por atrizes que já passavam - e muito- dos vinte anos (senão trinta), a maquiagem do ator que interpretou o zelador parecia ter vindo de uma festa de Halloween e não foram poucas as cenas em que o elenco parecia "ler" o roteiro. Na minha opinião, quem se saiu melhor em sua personagem foi Alicia Bonet como Claudia, principalmente por ter conseguido marcar bem seus "dois momentos" (sem spoilers). O destaque ficar por conta da cena do strip-tease e nem foi por conta do clima de terror, mas por ser uma cena bacana por si só. Apesar do renome do diretor, o filme não me conquistou, motivo que me leva a não recomendá-lo.

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