• hikafigueiredo

"Batman- O Retorno", de Tim Burton, 1992

Filme do dia (345/2021) - "Batman- O Retorno", de Tim Burton, 1992 - A união entre o corrupto empresário Shreck (Christopher Walken) e o misterioso, mas não menos diabólico, Pinguim (Danny De Vito) fará com que Gothan City se torne uma cidade ainda mais perigosa e corrompida, exigindo que o herói Batman (Michael Keaton) entre novamente em ação.





Após o sucesso do primeiro filme do personagem Batman, Tim Burton volta à direção nessa nova obra sobre o homem-morcego. Trazendo novos vilões, o filme corrige, em parte, algumas das falhas - na minha opinião, claro - de seu antecessor. É inegável que, nesta obra, o diretor abandona a relativa leveza da primeira, tornando a atmosfera um pouco mais sombria e tensa - podia ser mais, né, mas melhorou bastante em relação ao filme anterior. Também desapareceram as cenas e falas carregadas de humor, algo meio deslocado na primeira história e o principal fator que me faz desgostar dela. Aqui, Batman se vê às voltas com os vilões Pinguim, Schreck e a ambígua Mulher-Gato, uma personagem bastante difícil de "classificar". A história discorre sobre a união entre Schreck, um empresário mau-caráter, e um ser monstruoso que surge na cidade, o famigerado Pinguim. Tendo em vista que a ligação entre eles seria, evidentemente, fatídica para a cidade, Batman terá de mostrar, à população, as verdadeiras intenções por trás dessa aliança. Correndo por fora, temos a Mulher-Gato, que de uma maneira um tanto quanto equivocada, espera que seja feita alguma "justiça" quanto à conduta desleal e criminosa de Schreck - "justiça" essa também chamada de vingança. Neste filme temos um roteiro um pouco mais "amarrado" do que no primeiro, pois ausentes arcos que pouco contribuíam com a história, como a presença da desnecessária Vicky Vale. Aqui, todos os elementos da narrativa se interligam, não sobrando arestas. Também acho esse roteiro mais dinâmico, justamente pela saída daqueles arcos "soltos" que tornavam a narrativa um pouco frouxa, trazendo maior agilidade à obra. No entanto, temos uma questão que permaneceu em relação ao primeiro filme: se em "Batman" (1989) o protagonista ficou bastante à sombra do vilão Coringa, aqui não foi diferente, pois, para mim, o personagem Batman perde muito - mas muuuuito! - espaço para a personagem Mulher-Gato, que, de antagonista, torna-se quase o foco central da história por conta do carisma da personagem e da atriz que a interpretou. Tenho de dizer que adoro o tom meio "feminista" da meio-vilã que, embora errada na conduta, não está assim tão equivocada nas suas razões. Tecnicamente, temos o mesmo cuidado com a direção de arte, com a vantagem de não estarmos mais em plenos anos 80, motivo pelo qual o filme se mostra bem menos "datado" (temos de combinar que a estética oitentista, além de não ser das melhores, é extremamente característica, vai). A fotografia segue o mesmo modelo do filme anterior, muito cuidadosa, mas bem influenciada pela fotografia publicitária. Quanto ao elenco, tornamos a encontrar Michael Keaton como o protagonista, bem melhor aqui do que no anterior por dois motivos: primeiro porque ele se torna mais sombrio, e, segundo, por termos muito menos cenas de Bruce Wayne, pois achei o ator muito mais frágil como o milionário do que como o heróis mascarado. No papel de Pinguim, Danny De Vito - gosto bastante da caracterização do personagem e acho o trabalho do ator a contento, mas só; como Schreck, um ator que eu acho extraordinário: Christopher Walken - sua caracterização, que nos remete ao personagem Caligari, de "O Gabinete do Dr. Caligari" (1920), é fantástica, assim como sua atuação, sempre precisa. Mas, quem brilha mesmo neste filme é a espetacular Michelle Pfeiffer como Mulher-Gato: a atriz soube casar com perfeição a sensualidade e a fúria insana e vingativa da personagem, numa composição única - acho completamente impossível alguém interpretar melhor a Mulher-Gato do que ela nessa obra! - e quase todas as cenas em que ela aparece, ela está perfeita e deslumbrante, mas destaco a cena da loja em que ela está com o chicote (ela pulando corda com o chicote é divina!!!) e, claro, a cena do mais sedutor "miau" da história do universo, que faz qualquer um se apaixonar pela personagem!!! Embora eu continue preferindo os filmes do Batman de Christopher Nolan (ou pelo menos os dois primeiros, já que o terceiro é bem "unhé"), eu confesso que adoooooro esse segundo filme dessa primeira fase do personagem, mas, menos pelo protagonista e muito mais por conta da Mulher-Gato, que, para mim, rouba total o filme. De qualquer forma, acho uma boa pedida e recomendo.

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