• hikafigueiredo

"Blue Jasmine", de Woody Allen, 2013

Filme do dia (88/2022) - "Blue Jasmine", de Woody Allen, 2013 - Jasmine (Cate Blanchett) é uma ex-socialite de Nova York que, após ver ruir sua fortuna - construída, claro, pelo marido Hal (Alec Baldwin) - vai morar com a irmã pobretona em um modesto apartamento em San Francisco. Entre as memórias de sua antiga condição e a realidade pouco convidativa, Jasmine busca uma forma de ascender novamente à alta sociedade.





Woody Allen, com frequência, envereda pelo terreno da comédia, realizando obras com um humor ácido e refinado. Allen, via de regra, é ótimo em seus filmes cômicos, mas é no drama que encontramos obras do diretor realmente irretocáveis. "Blue Jasmine" encontra-se nessa categoria - a de filmes dramáticos que não poderiam ser melhores do que já são. A história acompanha o ocaso da ex-milionária Jasmine - na realidade Jeanette, nome de batismo da personagem, que ela rejeita por achar pouco refinado -, que, na miséria após perder sua fortuna, busca auxílio de sua irmã Ginger, a quem ignorava quando estava "bem de vida". Sem ter onde cair morta, Jasmine continua ostentando malas Louis Vitton e viajando de primeira classe, em evidente negativa de sua nova condição. A protagonista encontra-se no limiar entre a sanidade e o colapso, equilibrando-se entre reminiscências e a dura realidade imposta. A narrativa não-linear alterna o passado glamouroso de Jasmine e o presente árduo da personagem e revela, pouco a pouco, o que aconteceu para que a protagonista tivesse uma queda tão drástica do seu padrão de vida. O ritmo da obra é bem pausado, mas, em momento algum, isso incomoda - ao contrário, instiga o espectador àquilo que está por vir e/ou se revelar. A atmosfera é de desespero - o público sente a "perda de chão" de Jasmine, a qual se mostra completamente deslocada na sua nova realidade. Mas é impossível falar da obra sem destacar a "alma" dela - a interpretação impecável, visceral e sedutora de Cate Blanchett. Ainda que Jasmine seja insuportável e pedante, a atriz consegue carregá-la de tanta tragédia e humanidade que o espectador até a olha com certa complacência - chegamos a torcer para que a protagonista se encontre e se levante novamente, só para, no segundo seguinte, pensarmos "bem feito!". Em outras palavras, a personagem tem tal espessura que extrai, do espectador, sentimentos os mais contraditórios. Por seu trabalho impecável, verdadeiramente monstruoso, Cate Blanchett fez um arrastão nas premiações - foi agraciada com o Oscar (2014), o Globo de Ouro (2014), o BAFTA (2014), o Prêmio do Sindicato dos Atores (2014) e o Critics Choice Award (2014) na categoria de Melhor Atriz, muito merecidamente! O elenco trouxe ainda a ótima Sally Hawkins como a irmã Ginger, que lhe rendeu indicações ao Oscar, ao Globo de Ouro e ao BAFTA de Melhor Atriz Coadjuvante, pela forma como interpreta doce e ingenuamente a sua personagem. Alec Baldwin interpreta o marido milionário Hal e, ainda que não o considere um grande ator, ele está perfeito em seu papel. Ainda na obra, Peter Sarsgaard como Dwight, Michael Stuhlbarg como Dr. Flicker, Bobby Cannavale como Chili e Andrew Dice Clay como Augie. O filme, na minha opinião, é uma obra prima e está entre os meus prediletos do diretor, não apenas pelo ótimo roteiro, mas, principalmente, pelo trabalho impressionante de Cate Blanchett. Para mim, imperdível!

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