“Blue Moon”, de Richard Linklater, 2025
- hikafigueiredo
- 26 de out. de 2025
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Filme do dia (108/2025) – “Blue Moon”, de Richard Linklater, 2025 – Nova York, 31 de março de 1943. O musical “Oklahoma!”, de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, estreia no teatro. O letrista Lorenz Hart (Ethan Hawke) abandona a exibição e se dirige ao restaurante Sardi’s, contrariado pelo sucesso da peça de seu ex-parceiro profissional Richard Rodgers (Andrew Scott). Enquanto debocha da obra para o barman Eddie (Bobby Cannavale), ele discorre sobre sua mais nova paixão, a bela Elizabeth (Margaret Qualley).

Ambientado na muito específica data de 31 de março de 1943, noite de estreia do musical “Oklahoma!” no teatro, o filme retrata a reação do letrista Lorenz Hart, ex-parceiro do compositor Richard Rodgers, criador da mencionada peça, ao estrondoso sucesso do musical. Visivelmente ressentido, Hart debocha da obra, enquanto embriaga-se de whisky, para o barman Eddie. Já apresentando problemas de alcoolismo, Hart discorre sobre seus trabalhos, sobre sua paixão pela universitária Elizabeth e sobre si próprio. Seguindo o estilo bastante solidificado de Linklater, a narrativa alicerça-se em diálogos ágeis, muito ritmados, repletos de divagações filosóficas e questionamentos – em suma, o costumeiro, e delicioso, falatório do diretor. Com um texto impecável, riquíssimo em ironia, humor ácido e deboche, a obra sustenta-se sem qualquer dificuldade nesses diálogos, mesmo a ação sendo discreta e estando ambientando quase exclusivamente na beirada do balcão do célebre Bar Sardi’s. Igualmente rica é a composição do personagem Hart, que alia o talento criativo do letrista e sua genialidade textual com sua derrocada física decorrente de problemas com o álcool. Nesse sentido, Ethan Hawke está sensacional como Lorenz Hart: ele impõe, ao personagem, espessura, complexidade e nuances minuciosas do artista. Quase irreconhecível no papel, Hawke hipnotiza o público com sua interpretação e com o “it” do personagem. Igualmente maravilhoso está Bobby Cannavale, que interpreta o barman Eddie e que serve de “escada” para os diálogos irônicos do personagem interpretado por Hawke. Andrew Scott dá vida ao compositor Richard Rodgers, num trabalho magnífico – o personagem também tem diálogos cirúrgicos com Hart, que revelam o esforço hercúleo de Rodgers em acolher o ressentido e alcoolizado amigo e ex-parceiro profissional. Completando o elenco principal, Margaret Qualley como Elizabeth, que, embora tenha todo o magnetismo de sua beleza como atriz, não sustenta a personagem com a mesma habilidade de seus colegas (não que seja desastroso, mas ela está longe de ter a mesma presença e talento do resto do time). O filme todo é MUITO a cara do diretor – que nunca decepciona! Eu gostei demais da obra e recomendo a visita quando chegar aos cinemas. Vigésimo terceiro filme visto na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.



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