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  • hikafigueiredo

"Boleiros - Era Uma Vez o Futebol...", de Ugo Giorgetti, 1998

Filme do dia (125/2022) - "Boleiros - Era Uma Vez o Futebol...", de Ugo Giorgetti, 1998 - Em uma mesa de bar, um grupo de ex-jogadores de futebol relembra seus tempos áureos de campo. Entre memórias e histórias, todos demonstram seu amor pelo esporte.




Sabe aquela roda de amigos onde histórias são lembradas em meio a risadas e lágrimas e memórias são revividas com o saudosismo típico de velhos conhecidos de longa data? Pois é essa a atmosfera que a obra consegue trazer para o espectador. Sempre que eu revejo esse filme, eu sinto uma sensação de conforto, um reconhecimento dessas emoções antigas vindas de reminiscências há muito guardadas - quem nunca viveu essa sensação terna em uma roda de amigos? E o filme não traz um grupo qualquer, mas sim amigos ligados pela grande paixão nacional - o futebol. Mesmo que eu não compartilhe dessa paixão, consigo reconhecer o sentimento de pertencimento que ela proporciona àqueles que se ligam a este esporte. Provavelmente por tratar de um assunto tão comum nas rodas masculinas, acredito que talvez a obra toque diferente homens e mulheres. Mas, de qualquer forma, isso é apenas uma das facetas da obra, muito mais rica. Através de pequenas histórias - ou "causos" - o filme vai tocar em um sem fim de questões. Claro que são pinceladas de temas diversos, sem grande profundidade de discussão, mas a riqueza de questões abordadas é bastante interessante. Em meio às histórias contadas pelos personagens, encontramos demandas relacionadas ao machismo, ao racismo, à truculência policial, à infância sequestrada pelos problemas sociais e pela violência urbana, à velhice, à corrupção, à fama, à amizade e a um sem fim de outras temáticas. Outra característica da obra é sua capacidade de transitar entre as alegrias e tristezas da vida - enquanto algumas histórias têm um forte componente cômico, outras são melancólicas, quase deprimentes, e outras ainda, nos despertam sentimentos variados de indignação, crítica ou desconforto, numa verdadeira montanha-russa de emoções. A narrativa é composta pelas histórias contadas pelos personagens, quase como "esquetes", num ritmo bem marcado e numa cadência bastante agradável. Tecnicamente, o filme é bem redondinho - fotografia correta, direção de arte bem feita, boa edição de som. Uma das virtudes da obra é, sem dúvida, o elenco de altíssima qualidade - temos atores de peso como Rogério Cardoso, Flávio Migliaccio, João Acaiabe, Cássio Gabus Mendes, Adriano Stuart, Otávio Augusto, Marisa Orth, Lima Duarte, Denise Fraga, Elias Andreato... sejam os protagonistas ou estejam como participações especiais, os intérpretes são todos irretocáveis. Mas, claro, alguns merecem destaque: Rogério Cardoso e Otávio Augusto trazem o elemento cômico; Adriano Stuart, um elemento mais dramático. No entanto, é na cena final de Flávio Migliaccio que encontramos um componente verdadeiramente trágico na história - a cena é bastante tocante e deixa um gostinho um pouco amargo no espectador. Eu gosto demais desse filme, vejo muita riqueza nele, tanto em seu conteúdo, quanto na enorme gama de emoções que ele desperta - é como se trouxesse uma coisa muito íntima para o público. Adooooooro e recomendo.

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