• hikafigueiredo

"Bom Comportamento", de Benny e Josh Safdie, 2017

Filme do dia (245/2018) - "Bom Comportamento", de Benny e Josh Safdie, 2017 - Após assaltarem um banco, os irmãos Nikas correm para não serem presos. Um vacilo de Nick (Benny Safdie), o irmão mais novo, que sofre de evidente atraso cognitivo, leva-o à prisão. Seu irmão Connie (Robert Pattison) passa a correr contra o relógio, buscando uma forma de tirar o irmão do cárcere.





Começo esse texto com um parenteses - quanta injustiça foi cometida contra Robert Pattison por conta da franquia Crepúsculo!!!! Graças a uma direção capenga e um desenvolvimento porco, a dupla de atores centrais da franquia virou chacota no meio cinematográfico. E isso foi bem injusto. Enquanto Kristen Stewart comprovou ter talento com sua premiação com o César por "Acima das Nuvens" (Olivier Assayas, 2014), Robert Pattison vem buscado trabalhar em obras fora do circuitão comercial, em filmes que têm um quê meio alternativo - e, nessas ocasiões, tem acertado a mão em obras como "Cosmópolis" (David Cronenberg, 2012), "The Rover - A Caçada" (David Michod, 2014), "Mapas para as Estrelas" (David Cronenberg, 2014) e, claro, neste aqui. Fechando o parenteses, o filme é um incrível thriller, com muita ação e ótimas cenas de fuga e perseguição. A obra tem um ritmo frenético, com momentos de "respiro" que só aumentam a tensão e é extremamente bem conduzida pelos irmãos Safdie. Apesar de ser um filme de um gênero popular, a obra foge do lugar comum - primeiro por acompanhar, o tempo todo, um personagem que está longe de ser um "mocinho": Connie é um canalha, usa qualquer um em seu próprio benefício e mesmo o irmão que quer tirar da cadeia foi vítima de seu mau-caratismo; segundo, por retratar um submundo quase medíocre, pois os personagens são todos marginaizinhos pé-de-chinelo, gente que passaria despercebida em meio à bandidagem "grande": assim, Connie sequer é um verdadeiro vilão, ele nada mais é que um cafezinho pequeno e pouco competente; terceiro, por ter um desfecho incomum para esse tipo de história (sem spoilers). Destacaria, no filme, três pontos: a montagem bastante bem realizada, a câmera "nervosa", e a direção de atores. Robert Pattison está realmente muito bem como Connie - ele tem, constantemente, um olhar meio vidrado, uma cara meio de maluco, ficou perfeito para o personagem. Benny Safdie também está ótimo como o abobado Nick. Delícia, ainda, ver a maravilhosa Jennifer Jason Leigh em uma ponta como Corey, a peguete coroa de Connie, evidentemente usada pelo jovem amante. O filme é beeeem bacana, e olha que eu nem sou fã do gênero. Vejam sem medo.

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