• hikafigueiredo

"Borgman", de Alex van Warmerdan, 2013

Filme do dia (26/2021) - "Borgman", de Alex van Warmerdan, 2013 - Camiel Borgman (Jan Bijvoet), um aparente sem-teto, é perseguido por homens que descobrem sua estranha acomodação em meio à floresta. Dentre seus perseguidores, um padre. Camiel foge e passa a buscar refúgio em casas chiques, em um bairro afastado. Ele é rejeitado, mas, um incidente, abrir-lhe-á as portas de uma família.





Hahahahahaha!!! Socorro!!!! Se eu dou risada, é de nervoso!!!! Eu acabo de ver um filme brilhante, apesar de eu não ter entendido patavinas e, tampouco, conseguir explicar qualquer coisa acerca dele. Mas eu preciso explanar os motivos que me fazem dizer que o filme é incrível. Cinema, para mim, é uma forma de arte. E, como tal, seu objetivo primordial é transmitir algo - uma ideia, uma emoção, uma sensação. Este filme é muito pouco explicável racionalmente - pouco MESMO!!!! Mas ele é riquíssimo em evocar ideias, emoções e sensações. A obra é hermética - as exatas intenções dos personagens não são claras, suas identidades, muito menos, e os eventos que acontecem carecem de motivações. O que eu posso, então, dizer sobre o filme? Que ele é profundamente perturbador... que ele causa estranhamento... que ele é desconfortável... que ele é sombrio. Também posso afirmar que o personagem Borgman tem uma relação íntima com o Mal - sim, com M maiúsculo mesmo. Como um imã, ele extrai o pior de suas "vítimas" - tudo de ruim e podre que já estava lá virá à tona. Em um outro extremo, ele atrai seguidores que se oferecem deliberada e mansamente aos seus obscuros propósitos - estes seguidores primeiro parecem inebriados pela figura do personagem... em seguida, algo lhes é tirado e eles tornam-se apáticos e desprovidos de emoções. O que significa tudo isso - não saberia dizer. Mas afirmo que, durante quase duas horas, não despreguei os olhos da tela, fui instigada, tive emoções contraditórias acerca dos personagens, me indaguei, criei teorias e experimentei a frustração de não ter sido me dado nada mastigado - o filme te fala claramente "te vira, espectador, arruma uma explicação para isso tudo!". Em outras palavras, ele despertou ideias e sensações, servindo, assim, aos propósitos da arte na sua acepção mais pura. Minha única teoria é que existe alguma relação com o ideário religioso - por isso o padre perseguidor, além das citações ao mítico personagem Incubus, o demônio que senta sobre as pessoas dormentes (imagem que aparece algumas vezes na obra). E acabou o que eu consigo explicar sobre o filme. Posso imaginar, ainda, algumas menções a outras obras: o estranho visitante que seduz a todos em "Teorema", de Pasolini (1968) ou, ainda, os menestréis de "Os Visitantes da Noite", de Carné (1942) - mas isso pode ser só uma enooorme viagem minha. Apesar de subsistirem tantas dúvidas e questões não explicadas, eu gostei demais do filme pelo o que ele despertou em mim. Mas não é filme para qualquer público, não adianta. Quem quer história convencional, com começo, meio e fim e explicações racionais e convincentes nem deve passar perto. Agora... se você quiser ter uma estranha e instigante experiência cinematográfica, vai em frente. PS - o filme é holandês e talvez isso explique a doideira toda, porque aquele povo lá não é muito normal mesmo... rs

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