• hikafigueiredo

"Brincadeira de Criança", de Sidney Lumet, 1972

Filme do dia (43/2021) - "Brincadeira de Criança", de Sidney Lumet, 1972 - O jovem Paul Reis (Beau Bridges) retorna para a escola onde estudou, agora na condição de professor. No local, reencontra seus antigos professores Jerome Malley (James Mason) e Joseph Dobbs (Robert Preston). No entanto, rapidamente Paul percebe que alguma coisa está errada, quando se depara com uma violência incomum e inexplicável entre os alunos.





Baseada na peça teatral homônima de Robert Marasco, a obra discorre sobre a ascendência que os professores têm sobre seus alunos, mormente quando conseguem conquistar seus jovens educandos. Ah, mas não ache que o filme é um drama construtivo nos moldes de "Sociedade dos Poetas Mortos" (1989) - não, o que temos aqui é uma obra que flerta tanto com o suspense, quanto com o terror e que é habilíssima em criar aquele climão de tensão que eu tanto adoro! Na história, uma série de eventos violentos vem ocorrendo entre os alunos e, muito embora todos os professores percebam a atmosfera sombria que toma os jovens, ninguém consegue explicar a origem de tanta violência. É neste panorama que os professores mais antigos da escola - Jerome e Dobbs - passam a trocar acusações de serem os responsáveis pela sanha sanguinária dos meninos. No meio do embate, o professor novato Paul tenta entender a quem assiste a razão. A narrativa é linear, num ritmo moderado, mas crescente e a atmosfera, como já dito, é de tensão, desconfiança e medo. Tecnicamente, o filme é bem convencional, sem grandes arroubos de criatividade. O destaque fica por conta das interpretações - lembrando que o filme é a adaptação de uma peça teatral, o que justifica a carga dramática que recai sobre as atuações: Beau Bridges traz, para seu personagem Paul, certa aparência de deslocamento - Paul ainda se sente como um aluno naquele espaço e precisa buscar, em si, a segurança necessária para se sentir à altura de seus antigos professores -, e o ator faz isso bastante bem; Robert Preston faz um grande trabalho como Joseph Dobbs, adorado pelos alunos e sempre à sua disposição; mas é James Manson quem brilha na obra, na transição entre o rígido professor e o seu desequilíbrio final - o ator consegue fazer essa transição com naturalidade, sem sobressaltos, trazendo muita riqueza para o seu personagem. Eu fui totalmente tomada pela atmosfera sombria da obra e, do box da Versátil, foi o filme que eu mais gostei (até o momento, pelo menos). Muito bacana, recomendo bastante.

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