“Bugonia”, de Yorgos Lanthimos, 2025
- hikafigueiredo
- 18 de out. de 2025
- 3 min de leitura
Filme do dia (89/2025) – “Bugonia”, de Yorgos Lanthimos, 2025 – Teddy (Jesse Plemons) e Don (Aidan Delbis), primos entre si, sequestram Michelle Fuller (Emma Stone), a CEO de uma grande empresa química, convencidos de que ela é uma alienígena que pretende destruir a espécie humana, e eles farão de tudo para fazê-la confessar e levá-los ao seu imperador para negociar a liberdade dos humanos.

Absolutamente sensacional!!!! Yorgos Lanthimos promete tudo e entrega mais do que promete nessa obra que traz crítica e ironia, além de interpretações poderosas de seus intérpretes. Na trama, Teddy convence seu simplório primo Don que, Michelle Fuller, a CEO da empresa em que ele trabalha, é uma alienígena que intenciona destruir a humanidade. Dispostos a salvar a espécie humana, ambos sequestram a poderosa CEO e passam a pressioná-la para confessar sua identidade e suas intenções. Mas Michelle irá se revelar não apenas resistente, mas determinada e extremamente manipuladora, e tentará confundir seus raptores para que eles a soltem. Com um roteiro inteligente, muito irônico e debochado, Lanthimos vai brincar com questões sérias e atuais como as teorias conspiratórias, as crenças cegas e resistentes aos questionamentos, a dissonância cognitiva, a manipulação de informações, o poder das grandes empresas, a destruição do meio ambiente, o uso de cobaias humanas em experimentos da indústria farmacêutica e até mesmo o abuso infantil – sim, tem chumbo para os mais diversos temas, tudo sendo tratado com um humor ácido que, por vezes, arranca o riso nervoso do espectador. E tudo naquele formato estranho e perturbador que só Lanthimos consegue moldar. A obra está mais próxima, tanto na forma, quanto na grandiosidade, de “A Favorita” (2018) e “Pobres Criaturas” (2023), do que do intimismo sufocante de “Dente Canino” (2009), “A Lagosta” (2015) ou “O Sacrifício do Cervo Sagrado” (2017), ainda que todos tenham aquela marca inconfundível de estranhamento que marca o diretor. Os diálogos, cirúrgicos e, por vezes, hilários, trazem um embate gigantesco entre os personagens Teddy e Michelle – o primeiro convicto em suas crenças, a segunda promovendo uma manipulação psicológica digna de um coach empresarial (contém ironia). E o espectador? Fica sendo jogado de lá para cá, sem saber por quem ter empatia (okay, Teddy é um sequestrador e chega a torturar Michelle, mas ela vai dando mostras de ser uma manipuladora odiosa). Destaques: a mistura harmônica das típicas músicas atonais que o diretor tanto gosta com uma trilha sonora grandiosa e mais convencional; o desenho de produção minucioso que vai de detalhes como os sapatos Louboutin de Michelle às anotações detalhadas das características dos alienígenas dos cadernos de Teddy; o ritmo quase insano da narrativa, que não nos deixa “descansar” em nenhum momento; e o desfecho debochadíssimo, de lavar a alma do espectador. Por fim, Lanthimos é, sempre, um diretor de atores irretocável e consegue extrair interpretações verdadeiramente icônicas de seus atores e atrizes. Aqui, a “luta” não é apenas entre os personagens Teddy e Michelle, mas, também, das atuações fora do comum dos gigantescos Emma Stone e Jesse Plemons. É meio que chover no molhado falar deles, porque ambos são, reconhecidamente, grandes intérpretes, mas, o que eles entregam é impressionante. De um lado Emma Stone com sua melíflua Michelle; de outro Jesse Plemons como o visceral Teddy: simplesmente SENSACIONAIS! No elenco, ainda, Aidan Delbis muito bom como o limitado e simpático Don; Stavros Halkias como o Xerife Casey; e Alicia Silverstone, quase irreconhecível, como Sandy. Amei, amei, amei a obra em sua totalidade! Já tenho favorito ao Oscar 2026!!! Imperdível e obrigatório. Quarto filme assistido na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.



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