• hikafigueiredo

"Cabo do Medo", de Martin Scorsese, 1991

Filme do dia (264/2021) - "Cabo do Medo", de Martin Scorsese, 1991 - O advogado Sam Bowden (Nick Nolte) vive uma vida confortável com sua esposa Leigh (Jessica Lange) e sua filha Danielle (Juliette Lewis) até que um antigo cliente, Max Cody (Robert De Niro), que ficara quatorze anos na cadeia, retorna para se vingar.





Refilmagem de "O Círculo do Medo" (1962), este eletrizante suspense retrata a perseguição de uma família por um psicopata frio, calculista e cruel. Convencido de que o advogado Sam Bowden agiu de maneira antiética quando o defendera, motivo pelo qual teria sido condenado, o ex-detento Max Cody ganha a liberdade com o único objetivo de se vingar de seu antigo defensor. O que inicialmente parece ser apenas um incômodo - encontros aparentemente casuais de Max com Sam e uma maneira bastante abusiva do ex-cliente tratar com o advogado -, vai ganhando, pouco a pouco, ares de pesadelo, quando a forma de agir de Max passa a evidenciar sua obsessão e sua violência. A obra traz uma discussão interessante, embora pouco aprofundada, da justiça, da ética e do papel do advogado de defesa - alguém pode, tomando a justiça para si, obstruir o direito de um acusado de ter uma defesa comprometida com seus interesses? É justo que um defensor, sabendo da culpa de seu cliente por um crime hediondo, manipule as provas para que ele receba uma punição exemplar? Ainda que Max tenha revelado sua violenta psicopatia, Sam poderia negar-lhe defesa? A narrativa é linear, em um ritmo bastante marcado. A atmosfera é bem pesada, tensa, por vezes aflitiva, mas sempre aproximando a realidade de um terrível pesadelo. Formalmente, o filme não nega a direção de Martin Scorsese. Como em outras obras do diretor - como, por exemplo, "Depois de Horas" (1985) - temos uma câmera nervosa, criativa e ousada, que passeia pela cena acompanhando a ação em travellings, ou, ainda, aproximando-se ou afastando-se rapidamente do objeto. Os planos bem fechados perscrutam os rostos dos personagens, aprofundando a tensão proporcionada pelo roteiro. Merece destaque a cena do barco - o trabalho de câmera para criar a ilusão do barco à deriva em meio à tempestade foi perfeito, só faltou me dar labirintite! Interessante, ainda, o uso de cenas "em negativo", causando estranheza e certo mal estar no espectador. O elenco afiado tem, como o advogado Sam, Nick Nolte, bem no papel, ainda que eu não o ache muito bom ator; Jessica Lange está bastante bem como Leigh - a escalada de violência fragilizando a personagem, no início tão segura; Juliette Lewis, com apenas dezoito anos, arrasa como a tonta Danielle; mas - dãããã, é óbvio! - quem não perdoa e dá show é Robert De Niro como o psicopata Max Cody - muitíssimo diferente de outro "psycho" da carreira do ator, Travis Brickle, de "Taxi Driver" (1976), a mostrar toda a versatilidade de De Niro. Max Cody tem uma aparência sebosa, é manipulador e realmente "do mal" e o ator transmite isso com perfeição. Pelo trabalho, De Niro foi indicado ao Oscar de Melhor Ator em 1992, assim como ao Globo de Ouro na mesma categoria. É um filme tenso, com uma aura perversa. Devo comentar que a primeira vez em que eu o vi - sem saber quase nada da história-, foi bem mais impactante do que a revisita, mas, ainda me prendeu bastante. Falta ver o original com Robert Mitchum e Gregory Peck (que, por sinal, fazem pontas na refilmagem) - grande falha na filmografia. Este aqui é muito bom e eu acho uma boa pedida!!!

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