• hikafigueiredo

"Cafarnaum", de Nadine Labaki, 2018

Filme do dia (20/2019) - "Cafarnaum", de Nadine Labaki, 2018 - Em Beirute, o menino Zain (Zain Al Rafeea), de 12 anos, após viver sua curta vida na mais extrema miséria e sofrimento, e depois de ser preso por um grave crime, processa seus pais por um inusitado motivo: terem-no colocado no mundo.





Com um registro naturalista, a diretora Labaki retrata a triste vida de miséria de milhões de crianças pelo mundo afora ao narrar a história contundente do jovem Zain. Filho mais velho da família, irmão de inúmeras outras crianças, Zain revolta-se com o casamento forçado da irmã de 11 anos e foge de casa. Se a miséria já era extrema com sua família, ela acirra-se quando o menino acaba na rua, sozinho, e é recolhido por uma imigrante ilegal etíope. A obra expõe, em tom de denúncia, a pobreza extrema, o abandono parental e governamental, o descaso das autoridades, tudo relacionado às crianças e jovens do Líbano (mas que pode ser estendido às crianças e jovens paupérrimos e à margem da sociedade do planeta todo). É evidente que a obra intenciona sensibilizar o público para o abandono infantil e a miséria social, intenção esta não muito bem recebida por alguns críticos do filme que acusaram a diretora de transformar a pobreza em espetáculo (eu, particularmente, acho vital mostrar a realidade dos rincões afastados dos olhos dos bem-nascidos, caso contrário, estes jamais terão a chance de ver o que acontece fora de suas bolhas e nunca poderão de posicionar contra tal situação - ainda que muitos não estejam nem aí mesmo...). O filme é triste, triste, triste e contundente ao extremo, é impossível não se sentir tocado com a situação de Zain (e de tantas outras crianças). A narrativa intercala presente e passado através de flashbacks. A fotografia é triste, cinzenta, tal qual a ambientação de casebres miseráveis e grandes favelas. A história é impecavelmente contada, sem apelar para subterfúgios emocionais e manipuladores, completamente dispensáveis diante dos fatos mostrados. O filme, ótimo, jamais teria o impacto que tem se não fosse a expressão impressionante do pequeno Zain Al Rafeea, um refugiado sírio no Líbano com reais 12 anos, apesar de parecer bem menos graças à sua frágil constituição física - o menino é incrível, espero que sua realidade seja melhor que a retratada na obra. Eu, que adoro dramas reais, achei o filme incrível e recomendo. A obra ganhou o Prêmio do Júri em Cannes em 2018 (para mim, merecidamente).

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