• hikafigueiredo

"Caltiki - O Monstro Imortal", de Riccardo Freda e Mario Bava, 1959

Filme do dia (214/2021) - "Caltiki - O Monstro Imortal", de Riccardo Freda e Mario Bava, 1959 - Um grupo de arqueólogos promove uma expedição a ruínas maias no México, onde entram um contato com uma terrível e mortal criatura, considerada sagrada pelo antigo povo maia.





Produções de ficção científica e de terror são terreno fértil para os mais diversos filmes B que fazem a diversão dos amantes destes tipos de obras, mas tenho de admitir que raras foram as vezes que vi um filme tããããão B quanto este aqui. A obra, que faz uma fusão bizarra dos dois gêneros já mencionados, traz, como tema, uma ideia batida quando se trata de tumbas egípcias - o perigo de se despertar a ira dos mortos ou de divindades milenares ao se profanar os templos sagrados de antigos povos. Aqui, transportaram a lendária "maldição" egípcia para a América e a adaptaram para a civilização maia, objeto de estudo de um grupo de pesquisadores que tenta descobrir o motivo de uma diáspora daquele povo em um determinado período de sua história. No local escolhido para a pesquisa - ruínas de uma cidade abandonada, perdidas em meio à selva mexicana - os arqueólogos encontram a terrível criatura Caltiki, uma divindade maia, e acabam levando, para a cidade, um pedaço da tal criatura, o que se mostrará um erro. Ainda que a produção de baixo orçamento explique a falta de recursos técnicos, nada pode justificar a preguiça sem precedentes na concepção do monstro em questão, que lembra um amontoado de panos molhados - eu teria vergonha de conceber uma criatura assim em um trabalho de escola, sinceramente. Tudo no filme é extremamente "fake", das interpretações aos "defeitos" especiais de uma tosquice ímpar. A fotografia P&B muito contrastada é o que a obra tem de melhor, pois nada mais se salva no filme, do roteiro furadíssimo à edição irregular. Suprassumo da ignorância é o ritual no acampamento dos arqueólogos para apaziguar a criatura - apesar das ruínas serem maias, o que temos é um ritual com evidente raízes africanas, com atabaques tocados por negros e uma dançarina que me pareceu ser branca mas com a pele escurecida pela maquiagem, no melhor estilo "black face" - custava fazer uma pesquisa de meia hora para criar um ritual com uma carinha de povo pré-colombiano? Só Jesus na causa, viu. Eu sei que o filme tem passagens risíveis, como os tanques de guerra, claramente miniaturas de plástico, que chegam para aplacar Caltiki. Sério... esse aqui não dá, não. Para fugir sem olhar para trás (ou assistir às gargalhadas, vocês escolhem).

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