“Cara-de-Barro”, de James Watkins, 2026
Filme do dia (48/2026) – “Cara-de-Barro”, de James Watkins, 2026 – Matt Hagen (Tom Rhys Harries) é um ator de sucesso que é desfigurado por um chefão do crime por passar uma noite com a amante deste. Desesperado para recuperar sua antiga aparência, ele procura a Dra. Caitlyn Corr (Naomi Ackie) que está desenvolvendo uma pesquisa com células passíveis de regeneração molecular. Entretanto, o tratamento experimental causa reações adversas, saindo do controle da pesquisadora e do próprio ator.

Ainda que o filme esteja sendo um fracasso de bilheteria mundial – na minha humilde opinião, completamente injustificado – ele é diversão certa para quem gosta de filmes de super-heróis. Eu vejo duas possíveis causas para a bilheteria tão aquém do esperado: primeiro, pela classificação 18+, o que, por si só, já limita o alcance da obra; segundo, porque apesar de sua identificação como filme de ação, ele se revela muito mais próximo do gênero terror, especificamente do “body horror”. O personagem – originalmente um dos vilões do universo Batman, que, estranha e equivocadamente, jamais é citado no filme – tem apelo, traz uma narrativa interessante e consegue – como o protagonista do filme “Coringa” (2019) – despertar certa empatia no espectador por sua trajetória, pois, assim como vilão mencionado, ele também é vítima de algumas circunstâncias excepcionais. Matt Hagen é um ator de sucesso em franca ascensão: cotado para ganhar o Oscar, seu talento é tão comentado quanto sua bela aparência. Após ser desfigurado por um criminoso poderoso, ele vê seu sucesso profissional escoar pelo ralo, principalmente pela campanha difamatória empreendida pelo chefão do crime. Disposto a qualquer coisa para retomar sua carreira, Matt procura uma pesquisadora que encampa um tratamento experimental de regeneração de tecidos. Ocorre que o tratamento sai do controle da pesquisadora – em parte, por ações devidas ao próprio ator – e Matt começa a sofrer estranhas mutações físicas. A própria história já abre uma possibilidade ilimitada de mudanças físicas – muitas das quais profundamente aflitivas para o espectador – que a aproximam do “body horror” e de obras como “Crimes do Futuro” (2022) e “A Substância” (2024). São inúmeras as cenas que causam alguma aversão no público, mas, para mim que gosto demais do gênero, adorei a escolha. A atmosfera pesada – afinal, estamos falando de Gotham City – é bem conduzida na obra, assim como a tensão crescente. A violência explícita - que também justifica bastante a classificação 18+ - vai agradar quem gosta de porradaria geral e filmes de ação. Merece menção o desenho de produção profundamente sombrio e os efeitos especiais de alta qualidade – as transformações físicas extremas do personagem são impressionantes. Como eu não entendo do universo HQ em geral, não sei dizer se o personagem é fiel às histórias originais, ainda que tenha o palpite de que não – Matt é muito trágico e talvez a compaixão que ele desperte não seja o esperado para um vilão. Quanto ao elenco, achei que tanto Tom Rhys Harries, quanto Naomi Ackie, estão confortáveis em seus papeis e entregam um trabalho convincente. No elenco, ainda, Max Minghella, Joana Ribeiro, David Dencik e Joshua James (esse último, impressionantemente parecido com o ator Donald Sutherland quando jovem, a ponto de ser mencionado isso no filme!). Olha, eu realmente gostei do filme – lógico que é puro entretenimento, não desperta qualquer reflexão mais aprofundada sobre nada, mas é bem divertido. Recomendo para quem gosta de “body horror”, ação, fantasia e gênero policial.



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