• hikafigueiredo

"Carlota Joaquina, Princesa do Brazil", de Carla Camurati, 1995

Filme do dia (265/2020) - "Carlota Joaquina, Princesa do Brazil", de Carla Camurati, 1995 - Espanha, 1785. A infanta Carlota Joaquina (Ludmila Dayer), de dez anos, é enviada a Portugal para se casar com o infante D. João VI. No entanto, com a morte de D. José, herdeiro do trono português, D. João VI passa a ser o próximo na linha sucessória, de forma que Carlota Joaquina trona-se a princesa e, posteriormente, a rainha da Coroa Portuguesa.





A obra, responsável por um verdadeiro renascimento do cinema brasileiro na década de 90, é uma debochada comédia histórica que destaca o pior da herança portuguesa para o Brasil. Na época do lançamento, achei exagerado o deboche com que a diretora tratava a história brasileira, mas, atualmente, vendo o que se tornou esse país, acho até pouco e ouso afirmar que as comédias históricas daqui a trinta anos serão bem mais debochadas quanto ao nosso momento atual. De qualquer forma, o filme mostra a origem de inúmeras mazelas nacionais, em especial da corrupção e do chamado "jeitinho brasileiro", extremamente incentivados pelo monarca português quando de sua passagem pelo Brasil, através de favores e "toma lá, dá cá" entre a nobreza e a Coroa. A obra é ainda eficaz ao indicar os primórdios da dívida pública nacional através de um reinado inconsequente, pouco sério e nada preocupado com a população do país (que sequer era visto como país, mas como eterna colônia a ser despojada de suas riquezas). O filme conta com uma produção esmerada, com uma direção de arte grandiosa e uma fotografia caprichada. A paleta de cores é puxada para o vermelho, muito por conta da presença da protagonista e de sua natureza sanguínea e ardente. O elenco - certamente por conta dos contatos da diretora-atriz Carla Camurati - não poderia ser mais estrelado. Marieta Severo está maravilhosa como Carlota Joaquina adulta, interpretando a monarca como uma mulher de personalidade forte e impetuosa; Marco Nanini interpreta um rei D. João VI como um indivíduo mais dado à glutonice do que às glórias de um reinado e dele é destacado só as piores características; no elenco, feras como Antônio Abujamra, Vera Holtz, Norton Nascimento, Beth Goulart, Bel Kutner, Marcos Palmeira, Ney Latorraca e Maria Fernanda, inclusive como pequenas pontas. Eu gostei mais do filme na revisita do que na época de lançamento. Recomendo.

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