• hikafigueiredo

"Carrie, A Estranha", de Brian De Palma, 1976

Filme do dia (328/2021) - "Carrie, A Estranha", de Brian De Palma, 1976 - A adolescente Carrie (Sissy Spacek) é uma jovem tímida e sensível que sofre bullying na escola enquanto vive um relacionamento abusivo com sua mãe fanática religiosa. O que ninguém sabe é que Carrie tem poderes paranormais que se manifestam mais intensamente quando ela está sob pressão e que serão decisivos em futuros acontecimentos pelos quais a jovem passará.





Baseado em um livro do mestre do terror Stephen King, o filme é, para mim, a obra mais memorável do diretor Brian de Palma. Como poucos filmes conseguem, a obra une drama e terror em doses equilibradíssimas e trata de diversas questões sérias que não se relacionam com o sobrenatural. Inicialmente, a história discorre sobre temas comuns da adolescência - o sentimento de inadequação, o bullying, a necessidade de ser aceita pelo grupo, a crueldade e inconsequência juvenis -, retratando-os com o peso que é sentido pelos adolescentes. O filme também trata de relacionamento familiar abusivo e fanatismo religioso e o estrago que essa dobradinha pode fazer na vida de uma jovem sensível dominada pela mãe. Acompanhando todos estes temas pesados e complexos, mais condizentes com uma obra do gênero drama, temos a questão dos poderes paranormais da personagem Carrie, que faz com que o filme dê uma guinada brusca para o terror - e que guinada! Sendo, indubitavelmente, um dos maiores clássicos do gênero terror, o filme chega ao clímax em uma apoteótica cena que, ao mesmo tempo que assusta, traz certa dose de catarse para o espectador. Aliás, outra extravagância do filme - o terror da obra surge através da ação da personagem por quem o espectador tem empatia! Difícil culpar Carrie por sua (re)ação (eu admito que sou 100% "team Carrie" rs). A narrativa é linear, em ritmo intenso. O filme tem uma atmosfera tensa, mas que muda bastante ao longo da história - há momentos de pura tensão e outros mais relaxados. A obra explicita, ainda, a capacidade do diretor em trabalhar a linguagem cinematográfica de forma a transmitir os mais variados sentimentos ao público e a prova viva disso é a célebre "cena do baile" - não consigo imaginar uma forma dela ser melhor do que ela é; a cena é, simplesmente, perfeita, tudo funcionando no seu auge: fotografia, direção de arte, trilha sonora, efeitos especiais, interpretações. Tá bom, sou muito suspeita por adorar o filme, mas, vai por mim, ele está num nível acima de outros do gênero. O elenco traz Sissy Spacek, gloriosa como Carrie - ela muda da doçura extrema à fúria incontida com uma facilidade incomum e sua constituição física pequena e frágil desaparece quando a personagem enlouquece. Ela foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz pelo papel, coisa rara, raríssima, em se tratando de um filme de terror. Piper Laurie interpreta a mãe de Carrie, uma fanática religiosa com uma interpretação doentia das escrituras - a atriz está assustadora no papel, emanando, da personagem, uma loucura misturada com uma coisa má, podre. Por seu trabalho, Laurie também foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, e, também, ao Globo de Ouro na mesma categoria. O restante do elenco, não tão inspirado, consiste em Amy Irving como Sue, William Katt como Tommy, Nancy Allen como Chris, John Travolta como Billy e Betty Buckley como Srta. Collins. Sinceramente, o filme é diversão certa para qualquer um que tope o gênero. Vale mil vezes a visita!!!! PS - em 2013 fizeram uma refilmagem com a insossa Chloë Grace Moretz... só me digam... porquê??????

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