• hikafigueiredo

"Casa do Pecado Mortal", de Pete Walker, 1976

Filme do dia (254/2021) - "Casa do Pecado Mortal", de Pete Walker, 1976 - Um padre, "Father" Meldrum (Anthony Sharp), fica obcecado pela jovem Jenny Welch (Susan Penhaligon), uma moça que, certo dia, se confessa com ele. Ele passa a persegui-la e chantageá-la e não medirá esforços para tê-la sob seu poder.





Com um roteiro interessante, ainda que com um desenvolvimento não tão eficaz, esse filme do Reino Unido, classificado erroneamente como terror, mostra-se um suspense tenso e envolvente. A história foca na obsessão de um padre por uma jovem, a qual lembrava uma antiga paixão de juventude do pároco, antes de entrar para a Igreja, de forma que há uma crítica pontual ao celibato dos padres católicos. A narrativa começa muito bem, mas perde um pouco o fôlego ao final (tive a sincera impressão de que o roteirista ficou sem saber como terminar a história), com acontecimentos que me soaram um tanto aleatórios. Linear, a narrativa tem um ritmo de lento a moderado, acelerando bem ao final. A atmosfera é de tensão e de incômodo - a personagem Jenny começa ressentindo-se da insistência do padre em procurá-la, exigindo sua presença na paróquia, mas, paulatinamente, o leve desagrado torna-se verdadeiro pânico, ao perceber que o religioso segue todos os seus passos, ao mesmo tempo em que passa a chantageá-la. Tecnicamente, o filme não apresenta grandes inovações ou criatividade. A fotografia, um pouco esmaecida, algo costumeiro nas obras setentistas (nunca descobri o motivo), traz enquadramentos convencionais e quase nenhuma movimentação de câmera. A direção de arte é discreta, sóbria, assim como o som, que não é muito explorado para criar clima ou enriquecer a narrativa. Enfim, tudo bem tradicional e pouco (ou nada) inovador. No elenco, um ótimo trabalho de Anthony Sharp como o doentio padre Meldrum - o ator consegue imprimir no personagem uma sensação meio pegajosa, fazendo com que o espectador experimente, em parte, a aversão que a personagem Jenny sente por ele; Susan Penhaligon interpreta a jovem personagem Jenny, um pouco insípida, na minha opinião, no papel; Stephanie Beacham interpreta a irmã de Jenny, Vanessa, muito mais interessante que a protagonista; Mervyn Johns interpreta o Padre Duggan, bonito demais para um padre (rs). Olha... eu diria que é um filme mediano - nem brilhante, tampouco horrível -, que dá para divertir suficientemente o espectador, mas que provavelmente será esquecido em bem pouco tempo. Vale como curiosidade.

27 visualizações0 comentário