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  • hikafigueiredo

"Chocolate", de Roschdy Zem, 2016

Filme do dia (194/2020) - "Chocolate", de Roschdy Zem, 2016 - França, 1897. Em um circo, o ex-escravo Rafael Padilla (Omar Sy) trabalha interpretando o humilhante papel de canibal. Uma proposta feita pelo conhecido palhaço Footit (James Thiérrée) o transformará no artista Chocolate.



O drama biográfico acompanha parte da vida do palhaço Chocolate, o primeiro artista circense negro a alcançar fama na França. No entanto, a obra trata de bem mais do que a história do ex-escravo, pois expõe as mazelas sofridas pelos negros libertos naquele país, vítimas de racismo, violência e absoluta falta de oportunidades. Chocolate alcançou fama, em parte, por servir de "escada" para um artista branco e, também, por aceitar vivenciar um papel que lhe era admitido, o de "saco de pancada" de seu companheiro de arena, não lhe sendo permitido extrapolar tal personagem. O roteiro é bem desenvolvido para incluir, em seu bojo, as questões raciais pertinentes à história do artista. O tempo é, majoritariamente, linear, com raras inserções de tempo passado, e o ritmo bem pronunciado. Sem ser melodramático, o filme garante certo sentimento de angústia e tristeza por percebermos que as oportunidades oferecidas a Chocolate eram limitadas e, certamente, limitantes. A obra é visualmente belíssima, com uma direção de arte de época muito caprichada e uma fotografia com cores bem saturadas, principalmente nas cenas do circo. No papel de Chocolate, o "deus de ébano" Omar Sy (ô, belezura!), trazendo um trabalho de expressão corporal que me surpreendeu, não deixando, entretanto, de compor muito bem o lado trágico do personagem; James Thiérrée interpreta Footit, um palhaço na arena, mas um homem amargurado e triste longe do público - muito expressivo, principalmente por seu olhar "pesado", Thiérrée recebeu o prêmio César de Ator Coadjuvante por sua interpretação. No elenco, ainda, Alice de Lencquesaing como Camille, Clotilde Hesme como Marie e o ótimo Olivier Gourmet como o diretor de circo Oller. O filme é consistente, flui bem e equilibra com competência biografia e denúncia, sem se tornar vazio, de um lado, ou panfletário demais, de outro. Gostei, prendeu bem minha atenção, motivo pelo qual recomendo.

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