“Christy”, de Brendan Canty, 2025
- hikafigueiredo
- 28 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Filme do dia (114/2025) – “Christy”, de Brendan Canty, 2025 – Christy (Danny Power) é um adolescente de dezessete anos que é expulso do lar adotivo onde morava e acolhido por seu irmão Shane (Diarmuid Noyes). Christy espera morar indefinidamente com o irmão mais velho, mas encontra a resistência de Shane, ainda que conte com o apoio de Stacey (Emma Willis), sua cunhada. Enquanto o dilema não se resolve, o retraído Christy começa a se aproximar de pessoas da comunidade.

Neste drama familiar, temos um breve retrato de um lar destruído pela morte prematura da mãe devido ao consumo de drogas e o consequente abandono dos filhos. Enquanto Shane foi acolhido na casa de uma tia, Christy foi mandado para famílias adotivas, que, uma após a outra, devolveram-no para as instituições governamentais. Diante dessa sinopse, esperava uma obra que enveredasse para o drama pesado e que trouxesse um desfecho trágico, mas não foi isso que encontrei. O filme é uma doce e calorosa narrativa sobre abandono, afeto, (re)conexões, amizade, acolhimento e esperança. Sem ser meloso ou piegas, sem ser excessivamente cor-de-rosa, o filme defende que sempre é possível encontrar um caminho e que laços de afeto podem sem restabelecidos e se tornarem verdadeiramente duradouros. Ambientada na Irlanda – o que parece sempre significar que estamos tratando de classes trabalhadoras muito humildes e cheia de problemas financeiros -, a narrativa acompanha Christy em sua jornada por um lugar na casa e na vida de seus entes queridos. Gostei bastante da construção do protagonista – ainda que retraído e evidentemente cheio de carências, Christy tem opinião, sabe se posicionar e se defender, e, em nenhum momento, dá indícios de se dirigir para “o lado negro da força” – ao contrário, ele se mostra carinhoso, educado e empático. Eu sei que terminou o filme eu estava com o coração quentinho e com um sorriso no rosto, muito embora tenha ficado o tempo inteiro tensa, sempre esperando pelo pior (ê, trauma!). Destaque para a turma de amigos de Christy, completamente heterogênea e super acolhedora – me apaixonei por todos os personagens! Destaque, também, para a fotografia em tons quentes, e para a trilha sonora com um pé no rap. E destaque absoluto para a cena pós créditos, que não pode ser perdida. Quanto ao elenco, Danny Power está ótimo como Christy, ele impõe uma mistura de fragilidade, resiliência e determinação incrível no personagem e tem um olhar ao mesmo tempo terno e triste que é de partir o coração; Diarmuid Noyes também oferece um bom trabalho como Shane, o irmão dividido entre acolher Christy e manter sua vida familiar como estava; o elenco ainda traz Emma Willis como Stacey, Chris Walley como Trevor, Lewis Brophy como Troy, Helen Behan como Pauline, dentre outros. Adorei o ator mirim Jamie Forde como Robot. O filme é bonitinho, edificante e fofo, adorei e recomendo. Vigésimo nono filme visto na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.



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