• hikafigueiredo

"Cidade dos Ventos", Karen Shakhnazarov, 2007

Filme do dia (153/2020) - "Cidade dos Ventos", Karen Shakhnazarov, 2007 - URSS, década de 1970. O jovem Serguei (Aleksandr Lyapkin) divide-se entre as aulas da universidade, os amigos e as belas garotas. Mas, ao conhecer a doce Lyuda (Lidya Milyuzina), o rapaz começa a pensar sério em mudar de vida.





Nesse drama com toques de romance temos um roteiro um pouco truncado - a narrativa segue, na maior parte do tempo, numa direção, priorizando a relação entre Serguei e Lyuda. Mais perto do final, a questão da relação dos dois jovens sofre uma reviravolta e assuntos que não tinham lugar até então surgem, tomam a trama de supetão e levam a um desfecho ainda mais "ué?". Tive a sincera impressão de que aconteceu alguma coisa que impediu um final previsto e o diretor resolveu tudo no improviso. Curiosamente, toda a mudança de rumo acontece nos últimos vinte minutos, pondo a perder boa parte da atmosfera construída até ali. Apesar dessa "quebra" no roteiro, o filme tem méritos. O mais evidente é que a obra faz um retrato bem legal e detalhado do que era ser jovem na finada URSS, mostrando que talvez aquela juventude socialista não fosse assim tão diferente da que habitava os países capitalistas, pois igualmente rebelde e inconformada, consumindo o mesmo tipo de música, fazendo uso das mesmas bebidas alcoólicas e drogas, interessada em festas e em sexo, tal qual qualquer jovem, em qualquer época e qualquer lugar. Divertido ver como o personagem se virava para ter acesso aos mesmos signos que os jovens do ocidente faziam uso - uma calça jeans Wangler, o último disco dos Rolling Stones, uma guitarra para tocar os hits do Deep Purple ou do Pink Floyd... Outro mérito do filme são as interpretações. Gostei bastante do elenco, mas o destaque não está nos atores que deram vida aos personagens jovens, mas, sim, no intérprete do avô de Serguei, o ator Armen Dzhigarkhanyan, que aparece pouco na trama, mas brilha quando está em cena. Este é um daqueles filmes que eu curti assistir por uma questão de curiosidade antropológica. Como cinema, não achei grande coisa, mas, certamente, aprendi coisas sobre a antiga URSS dos anos 70 e isso já foi válido. Por isso, só recomendo para quem quer ter essa visão de outro lugar e época, porque o filme mesmo tem pouco a oferecer.

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