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  • hikafigueiredo

“Close”, de Lukas Dhont, 2022

Filme do dia (108/2023) – “Close”, de Lukas Dhont, 2022 – Leo (Eden Dambrine) e Rémi (Gustav De Waele) são dois adolescentes de treze anos que se consideram melhores amigos. Inseparáveis desde a infância, nada parece poder afastá-los, mas, a entrada em uma nova série na escola trará questões que conturbarão essa amizade.





Mas, gente, “pelamor” de Deus!!! Que filme triste dos infernos é esse? Tudo bem, ele é lindo, é sensível, é profundo, mas dá vontade de arrancar o coração fora durante o filme!!!! A obra vai tratar de questões como amizade, afeto, confiança, lealdade, cumplicidade e... culpa, culpa extrema, culpa absoluta. E vai roçar na temática maldita da masculinidade tóxica e seus efeitos, dentre os quais os comportamentos masculinos socialmente aprendidos e reproduzidos. Leo e Rémi se conhecem desde a infância e sempre foram muito próximos e íntimos. Isso não os impede de terem suas particularidades e diferenças. Um dos meninos é mais suscetível à sociedade que o outro, importando-se com a opinião e o julgamento alheios, muito embora seja mais autônomo que o amigo; o outro, ainda que não ligue para o que terceiros pensem a seu respeito, é mais sensível, mais tímido e infinitamente mais dependente e apegado que o amigo. A maneira de se relacionar com o mundo fará com que ocorra uma ruptura e um vagaroso afastamento – lembrando-se que a adolescência é o momento em que os jovens se aglutinam em grupos, buscando constantemente a aceitação dos seus pares e vivendo relações bastante narcísicas, uma vez que o outro funciona como um espelho de si próprio. O afastamento terá consequências bastante diferentes para cada um dos meninos. A narrativa é linear, com algumas elipses de tempo, em ritmo moderado a lento. A atmosfera é pesadíssima, dolorosa e muito angustiante. É, ainda, um filme bem sensorial – sofremos, junto com os personagens, diversas dores lancinantes: o abandono, a solidão, a incompreensão, o medo e, claro, a culpa. A obra me levou ao sufocamento, o mesmo sufocamento vivido por um dos meninos, que demora a colocar, em palavras, aquilo que está sentindo e pensando. O filme traz algumas metáforas meio óbvias, que poderiam ser dispensadas, como a plantação de flores sendo destruída ou o braço quebrado/consertado – não precisava. Formalmente, é um filme convencional, mas que traz quesitos técnicos impecáveis. A fotografia com cores muito brilhantes e saturadas é belíssima e alça outro patamar nas cenas em que os meninos correm pelos campos das plantações de flores; a música delicada pontua com sensatez a obra – nada da música manipuladora dos filmes hollywoodianos, que eu tanto detesto. O elenco traz o trabalho excepcional dos meninos Gustav De Waele e Eden Dambrine – o último, em especial, tem uma expressividade no olhar e uma contenção de movimentos repleta de significados que moldam a narrativa, fazendo do filme uma verdadeira obra prima. Não podemos esquecer, ainda, a interpretação meticulosa de Émilie Dequenne como Sophie e mesmo a presença marcante de Léa Drucker como Nathalie. É um filme incrível, mas prepare-se para sofrer, é tudo muito triste e doloroso. A obra concorreu à principais premiações dos anos 2022 e 2023 – foi indicada à Palma de Ouro em Cannes (2022), ao Oscar (2023), ao Globo de Ouro (2023), ao César (2023) e ao Critics’ Choice Awards (2023), sempre na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, sendo agraciada com o Grand Prix em Cannes (2022). É realmente uma obra maravilhosa, que vale muito à pena ser vista. Recomendo demais!!!!

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