• hikafigueiredo

"Colossus 1980", de Joseph Sargent, 1970

Filme do dia (192/2021) - "Colossus 1980", de Joseph Sargent, 1970 - No intento de evitar erros e paixões humanos, o governo norte-americano coloca todo o controle de suas armas nucleares nas mãos de um poderoso supercomputador. No entanto, no dia da inauguração do sistema, o cientista responsável por sua criação descobre que este pode ter sido um terrível e irreversível equívoco.





Nessa ficção científica, temos uma discussão acerca de dominação mundial e da autonomia e liberdade humanas, sugerindo que, ainda que todas as mazelas sociais fossem resolvidas, uma eventual perda de liberdade resultante do gerenciamento externo da vida humana e social tornaria a sobrevivência insuportável. Para mim, a mensagem subliminar que o filme traz relaciona-se à velha ideia de "liberdade capitalista" versus "autoritarismo de esquerda", falácia muito propalada pelos EUA e pelas direitas em geral (nem vou entrar no mérito da falsa liberdade propiciada pelo capitalismo, basta mencionar os inúmeros regimes autoritários de viés capitalista que existem mundo afora... aham, liberdade de quem, cara-pálida?). Lógico que essa mensagem pró-capitalista não é explícita, ela está muito bem ocultada pela história até bem interessante da obra. No filme, um supercomputador toma as rédeas do mundo e passa a tomar decisões apenas baseadas na lógica - portanto, sem qualquer envolvimento de empatia ou piedade por quem quer que fosse -, e, ainda que os objetivos se mostrassem elevados - o fim da fome, da miséria e das guerras - os meios seriam questionáveis, principalmente pela completa perda de autonomia dos seres humanos. A obra dialoga de uma maneira interessante com outras na mesma linha distópica: "1984", de George Orwell (pois os humanos passariam a ser observados vinte e quatro horas por dia pelo supercomputador), "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley (pelo mundo ideal sem liberdade de escolhas), e "2001, Uma Odisseia no Espaço", filme de Stanley Kubrick (1968) (por conta do computador que se rebela e ganha autonomia sobre o homem). A narrativa é linear, de linguagem bem convencional, com mais jeito dos anos 60 do que dos 70. O ritmo é marcado e atmosfera é de angústia e ansiedade. Engraçado ver como, naquela época, a ideia de um supercomputador estava diretamente vinculada ao seu tamanho - Colossus era exatamente isso, um colosso, descomunal de grande!!! No elenco, Eric Braeden interpreta o Dr. Forbin, o criador de Colossus, Susan Clark interpreta a Dra. Cleo Markham e Gordon Pinset, o presidente norte-americano, todos bastante bem em seus papeis. Ainda que não goste daquela mensagem subliminar mencionada, o filme é bacana, envolvente e convincente. Gostei muito e recomendo.

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