“Dalloway”, de Yann Gozlan, 2025
- hikafigueiredo
- 29 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Filme do dia (116/2025) – “Dalloway”, de Yann Gozlan, 2025 – A escritora Clarissa (Cécile de France) é convidada a participar de um programa de incentivo artístico consistente em residir em uma residência coletiva onde ela é auxiliada por uma inteligência artificial chamada Dalloway. Certo dia, ela é alertada por outro participante acerca das intenções do programa e, intrigada, resolve começar uma investigação própria.

Discorrendo sobre os limites das inteligências artificiais e a substituição dos humanos pelas máquinas, essa ficção-científica franco-belga levanta a hipótese da possibilidade de eventual produção artística feita pelas inteligências artificiais a partir de referenciais emocionais humanas aprendidas previamente. A obra também abre uma reflexão acerca da atual dependência humana da rede de computadores, da constante monitoragem das pessoas por câmeras – algo bem “grande irmão” -, além de tratar brevemente sobre temas como administração de pandemias e aquecimento global. Na história, uma escritora desconfia que está sendo monitorada por sua assistente virtual, cujas intenções seriam escusas. Decidida a descobrir as reais pretensões do programa artístico do qual participa, ela começa uma investigação. A obra consegue criar um suspense sólido amparado pela dúvida – a escritora tem razão e está sendo observada vinte e quatro horas por dia pela inteligência artificial ou tudo não passa de paranoia movida por uma possível condição psiquiátrica da artista? A narrativa estende essa ambiguidade até quase o fim do filme, mantendo a atmosfera de tensão sempre em alta. A narrativa é linear, em ritmo intenso. Tecnicamente, é um filme de alto padrão, mas sem grandes soluções criativas ou inovações. O elenco é encabeçado pela ótima Cécile de France como Clarissa – a atriz é hábil em nos transmitir a agonia da protagonista e sua obsessão em se sentir perseguida e observada constantemente; Lars Mikkelsen interpreta Mathias, o outro residente que também tem desconfianças sobre o programa, num trabalho consistente; Anna Mouglalis interpreta a anfitriã e responsável pelo programa Anne Dewinter – o timbre de voz dessa atriz me assustou profundamente, parecia vir das profundezas do inferno!!!! Rs e a atriz Mylène Farmer faz a voz da inteligência artificial Dalloway. Destaque para a cena em que o servidor trava e a personagem fica presa no quarto num dia de 45 graus de temperatura – agoniante. Gostei bastante, é um bom suspense. Trigésimo primeiro filme visto na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.



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