• hikafigueiredo

"(Desaparecido)", de Costa-Gavras, 1982

Filme do dia (122/2015) - "(Desaparecido)", de Costa-Gavras, 1982 - 11 de setembro de 1973, Chile. Um golpe de estado derruba Salvador Allende do poder. Charles Horman (John Shea), um escritor norte-americano, residente no Chile, é levado de sua casa por militares cinco dias após o golpe. Desaparecido após isso, Beth (Sissy Spacek) e Ed (Jack Lemmon), esposa e pai de Charlie, dão início a uma via sacra atrás do rapaz.





Já havia assistido esse filme há muitos e muitos anos, mas, minha memória de peixinho dourado havia feito o trabalho de apagar quase toda a lembrança dele. Reassisti-lo foi uma revelação. O filme é FENOMENAL!!!!! Obra de arte do cinema político, o filme revela a podridão dos bastidores dos golpes militares na América Latina nos anos 60 e 70 e o quanto os EUA estavam imersos até o pescoço na lama relacionada. O filme é atualíssimo! A cena onde os abastados de uma festa aplaudem a passagem de um tanque de guerra em pleno horário de toque de recolher, é chocante ( e não sei porquê me parece tão próximo do que temos hoje... não sei porquê...). O filme inteiro é um tapa na cara do espectador, uma verdadeira aula de política e sociedade, deveria ser obrigatório nas escolas. Não bastasse o tema e o conteúdo de rara importância, o filme ainda é extremamente bem feito do ponto de vista cinematográfico. Diferentemente de muitos filmes de fundo político, ele não é arrastado nem tem um tom doutrinador. Ele tem um quê de thriller, um suspense tenso, o espectador se retesa na cadeira. O roteiro é amarradíssimo, e mereceu Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. Não bastasse isso, Jack Lemmon está simplesmente BRILHANTE como o pai de Charlie - a forma como ele transforma o personagem, inicialmente um típico empresário norte-americano de direita, crente que os EUA são os legítimos defensores da Justiça e Liberdade, em um pai despedaçado, desiludido com suas crenças e, acima de tudo, questionador é só SUBLIME - tanto que recebeu a Palma de Ouro pela sua interpretação. Sissy Spacek também está ótima, mas, na boa, totalmente ofuscada pela atuação de Jack Lemmon. Difícil fazer uma crítica negativa a este filme, mas, para não dizer que sou parcial, achei que a edição de som - as partes em que o som não foi direto e, sim, editado - não acompanhou a excelência do filme (e olha que eu sou quase surda para cinema... se eu achei a dublagem esquisita é porque ela é realmente esquisita!). Amei, como lembrava de ter amado antes, e aconselho mil vezes com louvor. Destaque para uma frase do filme, dita por um militar norte-americano: "Minha preocupação é manter um estilo de vida". Para pensar.

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