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  • hikafigueiredo

“Diário de um Louco”, de Reginald Le Borg, 1963

Filme do dia (55/2023) – “Diário de um Louco”, de Reginald Le Borg, 1963 – 1880. O magistrado Simon Cordier (Vincent Price) acaba de ter uma morte trágica. Após o funeral, um grupo de pessoas se reúne para cumprir o último desejo do magistrado – a abertura de uma caixa, onde dentro há um diário escrito por Simon. A leitura trará revelações assustadoras acerca do juiz.





Baseado no conto “O Horla”, de Guy de Maupassant, a obra tem o mérito de levantar dúvidas acerca do conteúdo do diário do personagem Simon. O protagonista revela, em seus escritos, que, após ter contato com um serial killer condenado à morte, passa a ser assombrado por um ser maligno – o Horla -, capaz de ter controle absoluto sobre a vontade e as ações daquele que está sob seu poder. Neste contexto, o magistrado, considerado uma pessoa íntegra e justa, passa a ter condutas estranhas, inclusive para si próprio, até ser convencido de que o ente maléfico é real e não uma projeção de sua mente. A narrativa é bem interessante porque, ainda que, em tese, o Horla realmente exista, há uma brecha em que podemos questionar a sanidade do protagonista. Essa brecha advém do fato de tudo acontecer sob o ponto de vista do personagem Simon, motivo pelo qual pode ser, tudo, relativizado. Assim, como em outros filmes excepcionais, como “Os Inocentes” (1961) e “Desafio do Além” (1963), há certa ambiguidade que permeia a história, tornando-a mais rica e instigante. Por outro lado, o desenvolvimento do enredo não chega a ser realmente surpreendente – boa parte das ações do magistrado é previsível e nada é totalmente repentino ou inesperado. Tecnicamente, é um filme de produção padrão, no mesmo nível dos estúdios Hammer e Amicus que, no Reino Unido, nesta época, imperavam nos filmes de terror, lembrando, no entanto, que esta é uma produção norte-americana. Destaque para a fotografia muito brilhante e com cores bem saturadas e para o desenho de produção de época, muito caprichado. Mas o grande “chamariz” da obra é a presença icônica de Vincent Price, o melhor canastrão do cinema de fantasia, adorado por onze em dez fãs de filmes de terror, inclusive por esta que escreve – Vincent Price sempre empresta uma elegância sublime a seus personagens e aqui temos todo o seu charme na figura do magistrado Simon, um homem perturbado por suas dúvidas e assustado por suas próprias ações. No papel de Odette, a paixão do protagonista, Nancy Kovack, bem como a interesseira personagem. Chris Warfield interpreta o personagem Paul Duclasse, o falido artista casado com Odette. No elenco, ainda, Elaine Devry, Lewis Martin e Ian Wolfe. O filme não é excepcional, mas é honesto e cumpre seu papel de envolver o espectador na sua história. Quem curte filme de terror, vai achá-lo divertido. Recomendo para quem tem interesse especial no gênero.

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