• hikafigueiredo

"Doentes de Amor", de Michael Showalter, 2017

Filme do dia (41/2020) - "Doentes de Amor", de Michael Showalter, 2017 - Kumail (Kumail Nanjiani) é um rapaz de origem paquistanesa que trabalha como Uber e tenta carreira como comediante. Certo dia, durante sua apresentação de stand-up, ele conhece Emily (Zoe Kazan), uma estudante de pós-graduação, e com ela começa um relacionamento. No entanto, sua família tradicionalista será um entrave ao romance de Kumail e Emily.





O filme, baseado na história real de Kumail, é uma comédia romântica fofa, que discorre mais sobre o relacionamento familiar do que sobre as relações amorosas propriamente ditas. A grande questão da relação do casal não é algum problema interno do par, mas a exigência familiar de que Kumail case-se com uma moça de origem paquistanesa e religião muçulmana, algo que Kumail sequer cogita. Quando Emily desenvolve uma doença misteriosa que a coloca às portas da morte, Kumail se dá conta da importância da garota em sua vida e passa a questionar as prioridades e exigências impostas por seus pais. A chegada dos pais de Emily à cidade para acompanhar a doença da filha abre espaço para outro modelo familiar e novas discussões acerca da relação entre pais e filhos (e genros e noras). Apesar de ser uma comédia romântica, há inúmeras passagens dramáticas, as quais dão o tom até mais do que as partes cômicas. O carisma dos personagens - em especial de Emily e de seus pais - conquista o espectador, que passa a torcer pelo casal e para que Kumail consiga enfrentar as tradições familiares. Com relação às interpretações, Kumail interpreta-se a si mesmo e consegue transmitir toda a "dor e delícia de ser quem se é" - um mérito da obra é não dourar a pílula e não fazer um Kumail perfeito e sem defeitos; ao contrário, o filme mostra que ele pode ser um grandessíssimo "asshole", mesmo sendo, no geral, um camarada bacana; Zoe Kazan interpreta, com simpatia, uma Emily resolvida, decidida e bem humorada - na realidade, as melhores tiradas cômicas são dela, algo bem estranho se lembrarmos que o comediante é ele; como mãe de Emily, Holly Hunter, muito à vontade num papel que equilibra bem comédia e drama e que faz uma dupla ótima com o personagem Kumail; e como pai de Emily, Ray Romano como um sujeito bonachão e meio atrapalhado. O filme, ainda que não alcance a perfeição de comédias românticas como "Quatro Casamento e Um Funeral" (1994) ou "O Casamento do Meu Melhor Amigo" (1997), está acima da média, é simpático e tem um roteiro "redondo". Quem curte o gênero vai gostar bastante e, quem não costuma gostar, tem a chance de abrir uma exceção. Eu curti e recomendo.

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